02/07/2009

Brasília tem dessas coisas...Padoca, 27.06.09


ELE Curte o Pão de Queijo da Pães & Vinhos!

26/06/2009

Michael Jackson

Sempre gostei dele. Sempre. Mesmo que pessoas estranhassem meu gosto, previamente estabelecido como preferencialmente MPB. Gostava do ritmo, da força, dos clipes. Tudo foi diferente depois dele. Nos 80, não havia quem não ficasse comovido ao ouvir “We are the world”, coisa que hoje, é quase óbvia, mas lá atrás, ainda era um conceito inovador, por exemplo, para os EUA, pensar o mundo como um todo único, do qual todos fazemos parte. Depois da dança dele, vieram os grupos de garotos dançando coreografias iguais. Com ele, clipe passou a ser quase cinema. Lembro quando assisti ao clipe de “Black or White”, pasma pela qualidade e pela beleza daquilo.
Mas acima de tudo, sempre me deixou intrigada e, de certa forma triste com ele, o fato de imaginar que alguém pudesse sentir o que ele sentia. Imagino como deva ser profundamente angustiante e triste mesmo, olhar-se no espelho e não aceitar o que se vê ali. Deve ser uma espécie de sina, de maldição eterna, cruzar com a própria imagem sem conseguir sentir amor por ela. Não conheço ninguém que sinta isso de fato, assim, nessa dimensão. Mas conheço quem sinta algo muito semelhante, quanto à idade avançando, e é como um monstro que persegue e ameaça, em tempo integral àquela imagem. Isso me entristece, porque nada se pode fazer por quem teme a chegada implacável do tempo ou sofre pela imagem que tem. Não questiono nem julgo as razões pelas quais ele tentou tanto mudar a imagem. Apenas compreendo os sentimentos dele em relação ao que via. E torço, de verdade e de coração, para que ela vá agora para onde se sinta feliz em ser quem é. Ele mudou o mundo do jeito que pôde, via-arte, pela dança e pela música, pelas imagens que filmou, pelas gentes que uniu em pistas do mundo todo. Tomara que a ‘passagem’ mude o mundo dele agora e o torne eternamente, encantado.

Necka. 26.06.09

24/06/2009

Corpo & Alma

Não que a alma tenha cansado de ser quem é, o que é, o tanto. Mas o corpo merece alimento. A boca merece o riso e o beijo, o tanto de água que sai dela, quando pode exercer-se. O olho carece do raio emitido por outro, de lágrima de felicidade, de contentamento pelo que vê. As mãos carecem de afagos, recebidos e dados, de entrelaços. Como as pernas merecem direção aos passos, ao encontro de outras, às vezes adormecendo exaustas, entremeadas. Os pêlos merecem as carícias, as peles as delícias, as águas...a vazão e os goles. Como a flor merece o pólen, como o céu merece a nuvem, como o só merece o par. Meus olhos querem ver, querem tocar sim, ao que enxergam, àquilo pelo qual se cegam, se perdem, se enternecem, se desorientam. E toda alma se estende, livre, solta e incandescente, quando se nutre de sentir o mesmo tanto que o corpo sente.

Necka. 24.06.09

Eternidade

Agora já sei quando ponteiros chegam silenciosamente às 17h. A luz muda, de repente. Acostumei a ver, a perceber que horas são daqui. Acostumei a deixar o banho pra mais tarde, um pouco. E a falar antes do raciocínio vir. Já sei da secura de tudo e da falta que faz a chuva. Quase já me situo, ainda falta muito, mas reconheço o bairro, quando me aproximo. A hora do lixo ir embora, o cheiro da limpeza da manhã...já espero pelo silenciar lá fora, sabendo que às 23 horas, algumas luzes se apagam. Aos poucos, começa a haver familiaridade. Há mais amigos, vozes a serem reconhecidas ao telefone. Amanhã, Brasília ouvirá meu violão e minha voz, ao lado de outra que chamei para partilhar comigo. Já será outro instante, novo, mais meu. Quase já não sinto mais saudades do que eu era. Somente algumas pessoas e coisas deixadas lá atrás, fazem falta. Às vezes me pergunto se elas estavam mesmo lá, quando estavam. Eu estava. E, de lá, não via o que havia aqui fora. É muito! Este céu me prova. E quando subo mais acima, tendo a asa do avião pela janela, entendo o que Deus quer dizer com eternidade: é quando o que somos, se alastra, a despeito dos medos e das despedidas, vastamente.

Necka. 24.06.09

Foto FT - 21.06.09


Re-InCidente

É inverno longe daqui. Mas nessas ruas, não parece ter invernado ainda. Segue seco o ar, segue quente o dia, bem no seu meio, ao meio-dia. Incide sobre mim alguma incerteza ainda. Ela tarda a partir, por mais que eu a despeje de onde tem habitado. Alguma estranheza...há tanto que existia e eu não sabia! Havia a continuidade da calma, a repetição sadia da serenidade, a certeza transparente de mais risos e mais festas, mais gentes e mais palavras passando por entre minhas frestas. Havia a sorridência sobre teus lábios claros, estampada no teu semblante vespertino, sempre, está ali – toda manhã eu vejo. E fico vendo a vida passar pela faixa larga, o trânsito livre, contínuo, como o tempo. Já temos tempo somado, datas gravadas em nossos calendários. E a inferência do convívio, inevitável, nos envolve. Às vezes a verdade vem despida de gentileza. Vem nua. A verdade é. Como é minha a mutação diária, como é tua a permanência segura, linear do afago, feito prova de amor, como rega de planta, como a sensação de luar mesmo quando nem lua existe. Se é inverno agora, longe, aqui dentro alimentas o calor, enquanto sigo alçando vôos, agora, inutilmente.

Necka. 24.06.09

17/06/2009

Láctea

Nada, nunca mais fez nenhum sentido, nada ficou conhecido, nada foi igual, nunca mais. Eu sabia das gotas que se deixa cair por sobre a fronte, mas nada sabia sobre de onde vinham, da origem - a fonte. Eu sabia dos goles e das taças, um pouco, do vinho embriagador, mas não media o tempo que ele leva para ser tanto. Sabia algo sobre a entrega feita às pressas, como se esperar mais um instante fosse ameaçar a existência dela...mas desconhecia a rendição inteira, feita sem ao menos considerar se há instante. Nada mais se parece com o que era. Nem eu, nem o que de mim eu me fizera. Eu não conhecia essa face que desenhas, noite após noite, no exercício que jamais supus possível. Nem imaginava tantas possibilidades, cores, tanta vastidão por dentro. E quanto mais os dias nos consomem, quanto mais as noites nos devolvem, mais sei que nada sei de nada. Nem de teorias, nem de poemas, nem de vontades, nada! Se eu bebia outrora a gota pura e rasa, agora é mar que se abre à minha frente, todo ele, meu e de repente.

Necka. 17.06.09

Há uma estrela solta nesse céu que se enegrece agora, colada em algum pedaço do pano azul escuro que a noite vem estendendo pelo espaço. Há um espaço em mim destinado a ela, solto, dentro, onde mais nada alcança. Há, no céu da minha boca, a espera. No centro da minha mão há afago. No fundo do que sou, tua lembrança vaga que o meu tempo tem, que não apago.

Necka. 17.06.09

16/06/2009

Libélulas

Pedi a Deus que esqueça de mim e cuide de outro lado, de outra cidade, outro bairro, outra pessoa. De alguém que foi em mim mais do que fora eu, nesses anos todos. Pedi que Ele se ocupe de quem tem mais medo, mais tristeza nos olhos e mais saudade. Porque às vezes é tudo tão profundamente desesperador, que a razão some, e a sanidade. E se Deus fez a todos para amar-nos como Ele se ama a si mesmo, que cuide, que recolha para si a enfermidade - a trate. Trate de pôr flores de verdade sobre aquela mesa. Trate de pôr luz do futuro sobre aquelas noites. Trate de abraçar mais forte aquela ausência toda. Trate de parar o tempo para que não passe àquela idade. Pedi a Deus que se esqueça de mim por algum tempo. Porque fiz o que pude e nem sabia o que fazer direito. Eu só pude dizer o que era, o que é, o que sinto e o que faço agora. Trato de mim...de pôr alívio onde doía tanto e de esquecer. Trato de perdoar e de esperar perdões. Pedi a Deus que esteja onde Ele pode e eu não. Sou uma. Uma apenas que tenta entender mais do que consegue. Peço a Deus que conceda seu amor, uma vez mais, ao extremo dele. E que seja como aquelas asas agora colocadas nas paredes da casa, levando pra bem longe tudo que não puder ser riso, não puder ser leve, não puder mais ser amor.

Necka. 16.06.09 para RS.

Peço...

Não me deixa perder a fé nas coisas inexplicáveis, nos mitos, no impossível, na classe das coisas não-ditas demasiado às claras. Não me deixa perder a vontade do mistério, nem a fome do inalcançável, nem a pressa pelo dia de hoje. Não me deixa romper laços com o que me faz minha, a mudança veloz do riso ao pranto, a saudade feroz das coisas deixadas lá atrás. Não me permite esquecer nada que eu tenha amado, nem me faz renunciar ao que me faça parte, dentro, onde moram todos os pedaços que me perfazem. Não me desencanta do silêncio, lindo silêncio, quando olhos dizem mais que lábios, gestos podem mais que poemas, sons mostram mais que canções. Nem me desapega do que me importa - as cenas, as chaves, as portas, as represas, as vielas, as ruas, as comportas. Me deixa ter estradas ainda que eu não caminhe. Me deixa ter noites sem sono, ainda que eu não escreva. Espera que eu volte de repente, sem chamados, não me chama! Me deixa te deixar às vezes, para que eu queira voltar o quanto antes. Não me deixa cortar nem separar nem estragar a simetria que vejo em tudo, tudo que seja par e tenha um ao lado. Porque nada veio ao mundo pra ser só – tudo merece algo a seu lado. Não me deixa ficar tempo demais perto demais do chão...eu preciso sair de mim sempre que posso. O chão é pouco, tão pouco...e tenho asas...imaginárias, quase que inúteis, mas eu creio em vôos feitos daqui mesmo. E é quando o que te peço quer dizer que fiques, que quero que fiques mais, muito mais tempo ainda. Talvez para todo sempre, eu não sei. Eu sei que quero te querer...

Necka. 16.06.09

Fardo

Meu olho sente falta do raio do teu sobre eles. Essa inferência, essa luz toda, essa anti-calma. Sente a ausência do teu que lhe aflige e ao mesmo tempo lhe descansa do resto, do cinza das ruas, do longo das horas em que tudo se assemelha ao nada. É nada o que resta quando sem ti. Sei que todo amor é um fardo que nos carrega. Ele me tem. Como meu olho tem a presença dos teus quando me faltas, porque o vazio que me fica ainda é maior. Minha mão se põe inútil quando longe da tua. Essa brancura, a tessitura que tem ela, a tua mão. Sente que lhe envolve o ar que passa...minha mão passa tempo demais sem ti. E sei que toda paixão é um traço que nos dirige, um pouco de estrada, muito de movimento, passos inevitáveis. Tudo em mim agora te sente mais porque não estás. É como o céu que não sabe quanto possui de espaço vago, sem estrelas. É como o mar que desconhece o quanto de si se aprofunda. Ele só sabe que de vez em quando algo lhe acomete, vem, acontece e aquela sensação o justifica, o faz ser mais, ser onda.

Necka. 16.06.09

10/06/2009

Ida & Volta

Na noite anterior, não houve calma, nem sossego. Houve aflição, corpo rijo, ansiedade. Acordei de um grito meu, de dor, uma irrompida pela perna sem avisos, avisando, por certo, que amanhecia – quisesse eu ou não. Levantei como soldado que parte pra guerra, sem saber ainda se haveria uma, lá, no sul, pra onde rumavam meus passos. Voltar à cidade depois de quase 5 meses, seria, no mínimo, curioso. Havia saudades das ruas, da cor de Porto Alegre quando o inverno se anuncia, prévio, antecipado no minuano. E algumas saudades de coisas, da casa, de algumas pessoas, da sensação de estar “em casa”.
Pouso feito com atraso, ninguém no aeroporto, táxi sempre ali – é Porto Alegre, afinal – tudo funciona. Descendo a 24, tudo estava tão profundamente no mesmo lugar! Mas eu não percebi sinais, ainda não.
Abrindo a porta do apartamento, estranhei as coisas, os objetos trocados, o tamanho de tudo, pareceu tão menor. Não encontrei vizinhos que costumavam não me deixar em paz por muito tempo. Ali dentro, ainda apreensiva, tratava de fazer o que fora fazer lá. As horas voaram, mas eu não me sentia em casa, estando lá. Não demorou para que eu soubesse o que seria. E foi. De novo. O mesmo enfrentamento, a mesma dor, o desfecho que tanto lutei para crer que mudaria com o tempo. Não mudou. Nada.
Trouxe comigo o que pude trazer: a certeza que eu não tinha até então, de que abrir a porta era a melhor coisa que eu fizera. Mas desta vez não fui eu a abrir a porta: foi Deus. Descendo as escadas eu soube que agora era definitivo. Todo “fim” traz consigo uma verdade inegável, à qual se é obrigada a deitar os olhos, por mais que fira, para vê-la toda. E ver é irreversível. O que doeu, ainda que pouco, serviu para lembrar o que dor significa. O que vivi em 2 noites dentro daquela casa, serviu para que minha alma envelhecesse mais. Fiz o que fui fazer: um adeus, oficial, feito ponto final em textos, onde havia deixado reticências.
O vôo de volta foi pontual, rápido, como se soubesse que eu queria voltar logo. Tudo em seu lugar, mais calmo e silencioso do que eu merecia: lindo! Tudo aberto, o dia, os olhos, as certezas postas à minha frente. Não havia ninguém em casa. Mas esta, esta casa, nunca esteve tão cheia antes: havia luz.

Necka. 10.06.09

29/05/2009

Este.espaço.estará.provisoriamente.off.

Vou

Novas.asas.novo.pouso.
Tudo.se.repete...
O.Sol.Enganador...
A.transparência.do.nada.
E.meu. coração.eternamente. crente…
Não.entende.-.apenas. cala.

29.05.09

22/05/2009

Hoje Eu Quero o Todo do Silêncio.
22.05.09
"Se eu quiser falar com Deus,
tenho de lamber o chão dos castelos suntuosos do meu sonho...".
Gilberto Gil.

21/05/2009

Planador

Quando parti buscava o vôo mais rápido, um jato qualquer de destino, para o qual fosse lançado meu corpo, minha cabeça pesada, assim, como quem se joga de repente, querendo mais, mais, muito mais. Buscava a velocidade da luz, que cortasse os dias, que fizesse diferença, que tornasse algo efetivo. Queria a mudança brusca de tudo, que virasse a mesa, que movesse coisas com a força da vontade. E veio, por algum tempo, esse turbilhão – durando dias. 15. E eu ia. Apenas ia, dentro daquilo tudo, daquele mar de construções, empilhadas verticalmente, umas por trás de outras e de mais muitas. Um olhar sem horizontes. Era como um labirinto e eu lá, tentando achar caminho onde os caminhos estão por baixo da terra, submersos em vagões lotados de outros como eu. Saíra do azul, estava no cinza. No Moinhos o céu todo se azulava de tal forma, que acabara crendo que a vida era assim mesmo, daquele tom, daquela possibilidade eterna de delicadeza. Mas ela não havia vindo mais. Não havia mais dela no meu entorno, nem mesmo dos gestos que eram meus. Parti para um vôo inadivinhável, ainda sem exercício o bastante de bater de asas. Mas queria e isso bastava. E o que fiz foi atravessar bairros sem vê-los, mergulhada ali, em meio a todo o mundo, gente do mundo todo, de todas as línguas brasileiras. Depois, foi como se uma vara de pescar gigante me tirasse dali, sem mais nem menos. Um seqüestro do tempo, uma fenda dele, por onde passei sem perceber. Tanto, que passar pela fenda acabou sendo o próprio vôo e rompeu, de verdade, a luz. Às cegas, deixei que fosse desse modo. Soltei as asas no vento, deixei assim, que fosse. Queria saber onde daria. E não é nem azul, nem cinza agora. É um espetáculo de cores o céu que se abre diante de mim todos os dias. O dia rompe às 5h40, colorindo o espaço como se deixassem cair pincéis e borrasem um tanto de cada cor, meio de qualquer jeito. É lindo. E plano. Há vôos ainda. Mas é como se agora eu planasse pelo céu inteiro que nunca vira antes de outro lugar. Asas abertas ao seu extremo, olhos abertos ao que posso suportar ver. Plano, sobrevôo o que fui e me despeço ainda que tardiamente. De cima, o passado parece ter sido menor do que foi e mais simples, delineado num sem-querer de escolhas igualmente às cegas. Foi sem querer também que acabei chegando aqui, a essa sensação de planador. Os planos eram outros, outros corpos e outros destinos. E a felicidade é quase tão plena quanto a existência de um Deus, que não se vê, se sente e se acredita, ainda puramente, ainda bem, porque ambos existem.

Necka 21.05.09

21.05.09 - 16x7

Mais uma vela acesa agora. Uma luz que se move, dançando ao sabor do vento frio e forte que entra pela fresta da sacada. A noite caiu há pouco, qual meus olhos, cheios de sono e de cansaço do dia trabalhado. Há silêncio. Um gosto bom de café sobre a língua emudecida ao longo das horas, muitas delas. A fumaça insiste em entrar, quando deveria ir, como as lembranças que afasto e voltam sempre, sempre assim, reincidentes. Minha terra, minhas ruas tantas, minhas andanças por elas. Mas o que importam as ruas? São passos o que temos de levar conosco, a vontade de tê-los, de dá-los ao solo, seja que solo for, seja ao lado ou em uníssono. Hoje percorri ruas daqui, enquanto o sol me cobria de algum calor, a pele e a cabeça; orava ali, enquanto andava. Agradecia a Deus, meu salvador. Porque Ele segue comigo a despeito dos erros que cometo, desavisada. Vela acesa, prece feita. Prevejo lágrimas – elas virão em breve, quando eu for. E depois delas, talvez haja um sem-número de risos ainda não previstos. Talvez lá adiante não sejam mais necessárias tantas velas, tantas preces. Apenas mais e mais ruas, mais e mais passos, e um olhar de quem entende o que se deu, longo, profundo, leve, antes do sono apagar todas as luzes.

Necka. 21.05.09

15/05/2009

Contágio

Há muitos e muitos dias não sinto mais minha conexão com a música. Parece que, de alguma forma, ela saiu de mim por alguma fresta deixada aberta ao acaso. Como diz em Relógio Londrino (Cavalo-Marinho), “foi fora no arrumar das mesas...”. Andei tentando retomar e nada. Falta algo. Mas nem por isso, deixo de ouvir e assistir: graças ao grande amigo Carlos, fomos ver Kiko Continentino, Mauro Senise e Leonardo Amuedo no Clube do Choro, aqui em Brasília. E hoje à noite, verei um dos meus maiores ídolos: Guinga, um ser humano de primeira linha, um músico além de qualquer descrição. E para completar, graças a outra pessoa especial, amanhã verei Caetano, um dos maiores compositores do universo, sem dúvida! Principalmente, o Caetano dos LP’s antigos, onde se encontravam tesouros em letras e harmonias inovadoras. Do Guinga, talvez ouvindo “Canção do Lobisomem”, eu traga de volta a música em mim. Sorvendo dele a aura encantada que há na ponta daqueles dedos, talvez sim. Se Caetano cantar Lua Lua ou O Quereres (a letra mais que perfeita), talvez acorde dentro de mim a canção ainda não feita. Creio em contágios. E embora meu violão não me contagie mais tanto como costumava fazer, ainda creio que hora dessas volte a ser uma praticante da música, indo além da ouvinte. Tenho dançado, porém. Danço algo recém descoberto que me “chapa” e me conduz a uma viagem intensa: Bajofondo, El Mareo. Deve-se ouvir muito alto. Se possível, de olhos bem fechados, para que a dança seja livre e inevitável. Contagio-me dela. Deixo que me envolva e me leve para o além daqui, desse instante, e me deixe, por 1 momento, mais livre ainda, mais leve ainda, muito mais. Creio em contágios e convido: dance with me.

NA 15.05.09

Mystery Cover

Sometimes the simple is enough.
Take a look!

Mystery - Indigo Girls

Each time you’d pull down the driveway
I wasn’t sure when I would see you again
Yours was a twisted blind sided highway
No matter which road you took then
Oh you set up your place in my thoughts
Moved in and made my thinking crowded
Now we’re out in the back with the barking dogs
My heart the red sunYour heart the moon clouded
I could go crazy on a night like tonight
When summer’s beginning to give up her fight
And every thought’s a possibility
And the voices are heard but nothing is seen
Why do you spend this time with me
Maybe an equal mystery
So what is love then is it dictated or chosen
handed down and made by hand)
Does it sing like the hymns of 1000 years
Or is it just pop emotion
(handed down and made by hand)
And if it ever was there and it left
Does it mean it was never true
And to exist it must elude
Is that why I think these things of you
I could go crazy on a night like tonight
When summer’s beginning to give up her fight
And every thought’s a possibility
And the voices are heard but nothing is seen
Why do you spend this time with me
May be an equal mystery
But you like the taste of danger
It shines like sugar on your lips
And you like to stand in the line of fire
Just to show you can shoot straight from you hip
There must be a 1000 things you would die for
I can hardly think of two
But not everything is better spoken aloud
Not when I’m talking to you
Oh the pirate gets the ship and the girl tonight
Breaks a bottle to christen her
Basking in the exploits of her thief
She’s a very good listener
Maybe that’s all that we need
Is to meet in the middle of impossibility
We’re standing at opposite poles
Equal partners in a mystery
(handed down and made by hand)
We’re standing at opposite poles
Equal partners in a mystery

...Sentir tudo mover,
vazar, tudo explodir,
tremer e se acalmar...
NA 1994

Semente ou Devolva Meu Fôlego

  • quando eu te plantei dentro de mim eu nunca imaginei o tanto que você cresceria
  • e crescendo, assim, dentro de mim, eu não sabia que você invadiria
  • e que você transbordaria um dia pelo meu suor pelos Alinhar ao centromeus olhos pela minha poesia
  • e que se espalharia também pela minha casa pelo quarto e pela cozinha
  • e que eu surpresa e crente em milagres encantada adoraria
  • e que também me fizesse capaz de sorrir por tudo
  • e por nada quando me pego sozinha
  • e eu não sabia que eu ficaria aguardando uma nova estação em que eu não te podaria
  • mas esperando sim o florescer do amor ao qual sucumbiria
  • e da prova da fruta vermelha
  • e doce que mel verteria na minha boca sedenta
  • e tua que eu te ofereceria
  • pois quando eu te plantei dentro de mim
  • eu não sabia que isso era tudo que eu mais queria...
  • Sheyla de Castilho.
Música de Hoje:
Ribbon in the Sky
Stevie Wonder.
Para sempre, para todo sempre, esta será uma das 10 mais!

06/05/2009

"Por mais distante
o errante navegante,
quem jamais te esqueceria..."
Terra, Caetano.

In-constância

Pessoas não sabem o que trago delas comigo. Se são sorrisos ou vozes, se são trejeitos, olhares, seus cheiros ou seus lugares em minha casa. Não sabem de que lembranças delas me alimento, nem quanto rio sozinha quando lembro ou choro. Não ouvem quando cito suas frases, quando conto passagens, nem vêem meu semblante quando os faço. Não imaginam quanto tempo gasto de ficar assim, perdida nelas, nas coisas que deixaram gravadas na história que traço, meu tempo, minha jornada, no ritmo dos meus passos. Nas ruas, quando ando, ouvindo trilhas sonoras de pedaços...
Pessoas não sabem quanto sorvo delas comigo. Quanto certos gestos delas me guiaram e me deram exemplo, tanto do que quero, quanto do que não. Não trago comigo nenhuma mágoa, não as guardo, ocupam demasiados espaços e eu os tenho precisado livres. Tenho me ocupado de manter ombros aliviados, sono tranqüilo, calma nas mãos. Não trago bagagens, fardos, pesos passados. Mas mantenho fotografias e pedaços de papéis sagrados. Suas caligrafias, suas cores favoritas, as músicas que faziam a dança, as letras que tocavam mais...as tiradas engraçadas pelas quais dei minhas mais largas risadas, as festas inesquecíveis, os encontros memoráveis de anos depois.
Pessoas não conhecem quanto delas perfaz o que eu seja agora. Estão longe e nada perguntam sobre isso. Mas eu tenho aqui comigo tanto! Tenho guardado num canto um Sol que já não brilha para fora, um M’Anjo Benfazejo que ainda emite graças quando sorri de verdade, um Marido Pisciano que ainda ameaça a todos que ousarem me ferir, um encontro perfeito que todos os sonhos haviam anunciado e se deu, uma Pessoa em Quatro que se desdobra mais a cada dia, uma Olinda que esquecia sempre a outra metade da piada que contava, um gosto de Café permanente que me abraçou os lábios da infância até aqui e muito mais ainda!
Quisera que de mim, tivesse ficado algo de bom nas pessoas que trago comigo. Porque a vida só faz sentido, quando comungada, partilhada, quando plural. Quisera ter deixado mais de bom de mim pelo caminho. E que fosse como o vento que passa, levanta os pêlos sobre os braços e parte, deixando apenas uma sensação boa e uma certeza de que nada é para sempre, nada.

Necka Ayala. 06.05.09

Senhor

Me tira o barco – quebra seus remos,
mas deixa o mar para os meus olhos.
Me sinto só porque Te vejo em mim.
Afasta a fome, deixa o alimento.
Não mais o homem, só sentimento.
Me torna assim, tão forte, quanto o És em mim.

Leva o desejo, apaga o fogo, deixa o calor.
Sossega o medo, abranda os ossos, deixa o calor?

Para os meus dias, permite a música.
Devolvo até meu instrumento.
Se eu sinto tanto é porque Tu pulsas em mim.
Me torna fria, sem luz, sem brilho,
mas deixa que eu a tenha perto:
aquela que também me deste, enfim...

Acalma os corpos, dá sono manso, manso demais!
Leva o desejo, apaga o fogo,
Deixa o calor!

Me tira o barco,
Leva à deriva,
Mas deixa o mar.

Necka Ayala – Cavalo-Marinho, 2001.

Joio & Trigo

Ontem ouvi do Padre Alessandro, que a TV e os Jornais convencem mais do que um padre falando no altar. Fiquei pensando em quanta gente daquelas que ali estavam, puderam compreender o que ele disse.
Se eu imaginar uma pessoa sem emprego, sem recurso algum, sem saída, vivendo uma situação-limite; digamos que essa pessoa acabe de ter um filho, que fique olhando pra ele, enternecida, cheia de um amor sobre-humano, com ímpetos de registrar para sempre cada dia do seu crescimento, cada feição nova que o tempo desenha ali, naquela pele feito folha em branco...; diante da TV e da pompa perfeita das cenas de novelas, onde cada personagem tem a versão mais recente de uma cyber-shot, por exemplo, a vontade frustrada corta os olhos. Diante da beleza estampada propositalmente, da moda ditada na intenção do consumo, do desfile de marcas e possibilidades, dos sem-número de objetos lindos e tecnológicos, é quase impossível não se querer TER. Se convence? Ah, convence! Porque somos humanos e sentimos. E certos consumismos são legítimos, justificáveis até. Querer fotografar, filmar, gravar a cara de um filho ou querer dar um presente certeiro para alguém especial como gratidão, são consumismos bons. Dia desses vi uma amiga que sonha, sonha mesmo, de fato, poder dar para a mãe um aparelho que toque cds. Simples, não? Pra ela é sonho. Ainda é. A TV convence sim. Os jornais também, claro. De certa forma, convencem até os padres de que uma Igreja reformada, erguida em nome de Deus, seja um bom consumismo.
O fato é que existem consumismos bons. Como existem padres bons, igrejas boas, pessoas boas. Nos cabe discernir. De tudo que eu queria poder ter hoje, o essencial é pouco, pensando bem. Material para construir mais caixas – só isso por hoje. Para vender mais caixas, ganhar meu dinheiro honestamente e, assim, ocupada, não precisar ver TV.
Quando a gente se ocupa de coisas realmente válidas, a TV fica desligada. Quando a gente preenche a cabeça com reflexões úteis, não é tão simples assim nos convencer. Às vezes a gente tem de se resignar, esperar a hora certa de ter certas coisas. Às vezes a gente ouve um monte de palavras e precisa separar o joio do trigo. E é isso que significa livre arbítrio. Poder pensar, tirar conclusões, filtrar imagens e pontos de vista. Eu gosto de consumir coisas, como gosto de Igreja e de ouvir padres falando. Mas adoraria que a TV oferecesse mais arte, mais poesia, mais motivos de reflexão, como adoraria que padres falassem mais claro, para que as pessoas entendessem o que foram fazer lá, diante deles. Adoraria que todo mundo pudesse trocar idéias sem julgamentos estabelecidos e que todo mundo também tivesse as mesmas condições de comprar coisas queridas apenas. Mas, acima de tudo, eu queria mesmo, de verdade, que todas as pessoas tivessem um filho lindo pra ficar olhando, uma linda obra de arte criada pelas próprias mãos, um amor novinho em folha pra querer presentear, um trabalho novo que desse nova vida à vida, uma crença pela qual viver, uma filosofia pela qual lutar. Assim, nem a TV nem os discursos, seriam tão necessários: um porque distrai enquanto nos convence de quanta coisa nós não temos, outro porque tenta nos consolar disso sem falar claro o bastante, porque queremos tanta coisa. O que o Padre Alessandro não disse, é que, quando a gente vive, não precisa de TV nenhuma: a vida convence!
Negrito
NA. 06.05.09

Tal


Em novembro havia uma barriga imensa, anunciando a chegada de Ana Beatriz. Conheci a mãe, sabendo que nome teria a filha. Um sorriso lindo, largo, contagiante, numa morena simpática e cheia de desejos de grávida: manga! Ela queria manga! Casualmente, Sis havia trazido uma caixa de mangas. Ela subiu aqui e teve seu desejo atendido.
Agora, volta e meia tenho Ana Beatriz nos braços. Linda! Uma simpatia igual à da mãe dela, Talita. E a pequena já tem caixa de remédios que fiz pra ela, além de uma coleção de fotos feitas recentemente: ela mamando, ela no colo do Joca, no meu, rindo, toda faceira de colo em colo.
Ontem Talita me levou à Missa. Estive na casa de Deus, depois de muito tempo, para agradecer e renovar meu laço estreito com Ele. Não tenho como descrever o que senti: fé continua indescritível. Mas senti, levada pelas mãos de uma alma branca e boa, que estava no lugar certo. Rodeada de gente que crê e que o faz de modo alegre, prazeroso. Ali, por algumas horas, me senti mais firme e mais otimista. É como se, depois da experiência, a própria vida fosse de novo recém-nascida e tivesse tudo pela frente. Como disse Talita, a fé é Cura e estar lá, é como tomar uma dose de remédio por semana. É sim...só que a caixa onde se guarda esse remédio, fica por dentro da gente. Que Deus me faça digna da amizade da Talita e da pequena Ana Beatriz. Obrigada, Tal, por cada gesto teu de comunhão - da verdadeira!

Necka Ayala. 06.05.09

Irmandade

Estava lavando vidros. Esperando respostas de Deus. Contando com a fé que me fortalece e me renova a cada dia, a cada dia mais necessária, mais urgente, mais vital. Estava pensando no sonho que tive à noite, com minha irmã, Silvia. No sonho, chorava no colo dela, sempre próxima, sempre presente. Não vivemos assim, perto uma da outra. Não nos foi dado o convívio de irmãs, nem o acompanhamento dos gestos, o aprendizado da palavra ‘irmandade’. Mas de alguma forma, tentamos nos manter ligadas, teimosas que somos, a despeito das distâncias que nos tornaram ainda mais longe.
Estava lembrando do poema dela que me emociona e me derruba cada vez que leio. Tanto, que nunca mais quis lê-lo. “Te empresto agora mus brinquedos...”. Isso me lava a cara a cada vez que o vejo. Estava pensando nisso, no tempo e no efeito que ele faz, nas coisas que dissipa, nas transformações que provoca. Ela vai fazer 46 e eu, 1 mês depois, farei 45 anos. Nossas sobrancelhas são iguais, como nossos risos. Ela dança divinamente, e escreve e desenha e cria coisas para enfeitar a casa. Eu toco, escrevo troços, faço caixas para guardar coisas queridas. O tempo e a distância não nos desligaram. Nos fizeram identificar, apesar dos entraves, o que temos em comum pelo sangue, sim! Mas principalmente pela alma, pelo coração que nos guiou as escolhas.
Hoje partilhamos faltas, equívocos que assistimos diariamente, ausências e uma dose excessiva de desamor. Observamos a isso pasmas, enquanto trocamos verdades das quais jamais fugimos. Olhamos à nossa volta e entendemos que nunca houve ambiente para nossa irmandade abortada sem nosso consentimento. Ela não vingaria ali. Mas vingou de outra forma, escrita em outras línguas que desenvolvemos por nós mesmas. Uma silenciosa às vezes, de olhar apenas e, simplesmente, compreender.
Estava assim envolta quando tocou a campainha. Era uma caixa de sedex, pequena, na qual não reconheci a letra. Dentro dela, mimos muitos com a cara dela: 2 rosquinhas que só ela sabe fazer, 1 pastel, chocolates, um lenço preto (cor favorita dela) e uma carta escrita à mão. De repente, minha irmã estava aqui, perto. Na carta, ela diz sentir falta de nós, do que conseguimos ser uma com a outra, uma para a outra. E do café que dividíamos nas longas conversas. Estava olhando cada coisa que veio dentro da caixa. E havia uma menção de lágrima nos meus olhos. Eles já não são tão fartos como antes, choram menos, possuem menor apego. Molharam de saudades e de outro entendimento. De que o amor encontra por onde escoar livre, sabe como revelar-se mesmo que em sigilo, acha jeitos de acarinhar, mesmo que à distância. E eu espero, porque pedi a Deus ontem à noite na Missa, que logo eu tenha como rever aos que amo e que estão longe agora. Estava ajoelhada diante D’Ele, de olhos fechados, suplicando que Ele me ouvisse, quando senti que isso será feito – Ele me ouviu. Tanto, que agora, ao meu lado aqui, há uma caixa amarela e a presença clara de minha irmã.

Necka Ayala, para Vica. 06.05.09
"Havia ali a presença toda sã de minha irmã e coisa mais que azul.
A lua lua lua lua lua lua sobre um pinheiro do Sul..."
Queda D'água - Caetano, cd MEL, Maria Bethânia.

28/04/2009

In-evitável

E embora eu tenha querido deixar o Amor para mais tarde, ele não assentiu que assim fosse. Veio de onde eu não pousava os olhos, de um lugar que não fitava, num instante vazio que se fez novo. E foi quando eu abrira asas, quando eu ensaiava abrir vôo, saltar abismo adentro finalmente livre. E foi para causar espanto, para não ter conceitos, para desconstruir palavras gastas. Veio para reaver sua morada em mim, recém entregue a proprietário algum, que já nenhum a queria habitar e nem eu. E apesar de eu ter adiado a vinda do Amor, ele chegou de malas feitas, passagem comprada, destino assegurado e portas previamente abertas. Adentrou o espaço que ele mesmo tratara de preparar sem alardes, enfeitou as paredes e arejou os cantos onde eu guardara uns escombros, tratou de desfazer-se de vestígios, resíduos, lembranças do passado, do tempo em que ele não pudera ser quem era. E embora eu tenha evitado olhar-lhe os olhos, o Amor fixou-me como alvo. Sem dizer nada, sem gestos bruscos nem promessas feitas, ficou ali me vendo ser quem eu era sem ele. E num silêncio leve, como num rito, fez sua oferenda e me fez dele uma outra vez. Apesar de eu ter agendado o Amor para outra vida, porque nesta já não julgava mais possível exercê-lo, o Amor tinha hora marcada, depois das certezas das quais se munia. Veio, apenas veio. Como vem a morte, inevitável.

Necka Ayala. 28.04.09

Aury Santana

Ao chegar em terras estranhas, a gente tenta se orientar pelas pessoas conhecidas que já estão ali, pelos olhos que já conhecem cenários, rotas, destinos. A gente tenta buscar indicações, parcerias que nos façam sentir de alguma forma, nem tão perdidos assim. Mas Deus, sempre presente, às vezes presenteia a gente com surpresas boas.
Ontem eu saí de casa para encontrar uma pessoa específica, a quem entregaria 1 Currículo. No entanto, levara outros 4 comigo, para o caso de ter a quem entregar mais. A pessoa que fui encontrar, não estava lá. Resolvi esperar em pé, no sol, durante uns 45 minutos, incerta de que ela chegaria ainda. No meio-tempo, chega outra pessoa e vem falar comigo. Perguntou o que eu estava fazendo e eu contei que procurava emprego aqui, que estava distribuindo Currículos e mostrando as caixas para amigos. Ela me disse, no mesmo momento: acho que posso te ajudar. Me convidou pra um café, sentamos e ela foi me dando dicas, mostrando o mapa da cidade para que eu me localizasse e me fez a proposta de andar com ela, hoje, dia afora, enquanto ela visitava clientes, para conhecer pessoas, fazer contatos, deixar referências.
Nos encontramos hoje às 8h e fizemos muito mais do que ela havia prometido. Além de cumprirmos a batalha, lado a lado, sendo ela uma pessoa que mal me conhece, me mostrou lugares interessantes, me apresentou a pessoas que ela conquistou com o tempo e a competência, me incentivou, me fez sorrir, me engrandeceu.
Pois bem...Deus me mostrou, de novo, que quando algo parece ter dado meio errado, talvez tenha planos melhores do que os nossos. Bom, pra isso ELE é Deus e nós, humanos. Se eu tivesse encontrado quem fui ver, não estaria mais lá na hora em que a querida AURY apareceu como anjo para me guiar pelos caminhos, rotas, destinos do DF. E, para completar o inusitado da cena toda, ela, surpreendentemente, resolveu me presentear: me levou pra passear de metrô até Taguatinga, ida e volta, somente pelo prazer da novidade. Me mostrando tudo, me descrevendo o que víamos, apenas fomos e voltamos, assim, conversando sobre tudo. Em 1 único dia aqui, não só estive em mais lugares do que possa lembrar agora, como conheci gente queridíssima, fiz ótimos contatos, passeei de metrô, almocei com ela e ainda consegui fechar outros contatos de futuros trabalhos e ela ainda me levou pra comprar material para as caixas!
O dia hoje é de gratidão pura. Porque às vezes, quando a gente pensa estar batendo às portas certas e falta-nos a fé tanto em quem cremos, quanto em quem conhecemos, outras portas maiores se abrem, novas, insuspeitas, cheias de outras possibilidades que jamais vislumbramos. Hoje agradeço a AURY, querida e nova amiga sementeira, e a Deus que a colocou pontualmente no meu caminho. Foi um dia e tanto, daqueles que a gente jamais esquece, porque gravam em nós, lembranças de redenção, de fé na vida, de presente alinhavando o futuro que já vem! Agora, espero.

Necka Ayala 28.04.09

27/04/2009

24/04/2009

Presente

Porque vi a cara que o amor tem, quando ele se parece com a verdade pura, quando ele se enfeita de sorrisos gratos, quando ele se envolve em gestos simples de partilha, renego hoje ao desamor. Porque vislumbro a cada dia aos arredores do amor, quando ele cerca de delicadezas ao nosso entorno, quando ele cobre de carinho o espaço à nossa volta, quando ele perdoa e segue em frente, feliz por ter sido renovado via-perdão, renego ao desamor. Porque daqui posso assistir à redenção do amor quando ele jura jamais abandonar suas moradas, quando ele envia de longe suas provas de sobrevivência, quando ele estende a mão, ainda que ainda sozinha, hoje, simplesmente, renego a desamor.
Todo ato de desistência é um ato de desamor. Hoje desamo a quem poderia ter amado por conta de laços, de sobrenome, de contingências. Porque percebo daqui quão rotos vão sobre seus rostos, seus disfarces. Quão breves têm sido suas mentiras, quão frágeis têm tido seus instantes. Hoje renego a isso que Deus ainda permite que eu tenha de ver. Porque daqui, de depois da despedida, ainda não viram que me despedi. Porque de longe, de estou agora, ainda não entenderam quanto já entendi. E deste lugar, é fácil perceber cada detalhe, cada nuance do que ficou lá atrás, na terra natal. E porque sei, agora sei, que rosto lindo pode ter o amor, quando ele desperta logo cedo e divide, partilha, comunga, ouve e revela, dá e recebe, faz e quer mais, renego ao que seja contrário. Porque ouço agora da voz de quem de fato me tem amor, perguntas sobre como me sinto, que demonstram a verdade de querer saber como me sinto, renego ao inverso disso.
Daqui vejo faces de amor que não via. E são muitas. Uma delas tem tido a face generosa e finalmente possível do entendimento do perdão. E perdoa. Perdoa querendo estar ainda fazendo parte do que sou, no que nos restou ser: eternas. Nela, vejo a face infinita do amor construído a ferro e fogo, forjado no tempo e refeito nos grandes equívocos, próprios de nós, apenas humanos. E sinto que o futuro reserva a essa capacidade de amor, mais amor ainda, que seja recíproco com quem encontrar ou reencontrar pelo caminho trilhado de agora. Noutro, vejo a saudade da alma gêmea que nunca se desliga por mais distante. De um homem que amei e que amo, para todo sempre, a despeito de tudo que a vida nos quis retirar. Ainda vejo outros, de quem torce, ainda que sinta uma saudade extrema, que chegue a doer, mas torce para que tudo fique bem, porque aqui está bem assim. E como se não bastasse tanto amor, este, recém-nascido, que trata de curar e de gerar um dia, mais um, de leveza e de descanso do passado. Um que me trouxe e que me tem levado adiante. Um que me mostra, das coisas que eu mesma dissera, o todo da verdade que continham. Me mostra, como se o próprio Deus tivesse dito “amém”.

Necka Ayala. 24.04.09

23/04/2009

Toda a Verdade

A verdade é vital. É preciso mostrar aquilo que se é, mesmo que todas as conseqüências provenham disso, dessa atitude, dessa coragem. É preciso, simplesmente é. E urgente. É preciso dizer-se perdido, em vez de alegar-se confuso, quando se está perdido. É preciso mostrar-se ferido, sem diluir a palavra em menos, quando há ferimentos. É preciso confessar-se doente quando se espera por cura. Porque se dissermos menos, teremos menos retornos, menos entendimentos, menos cúmplices, menos soluções. É preciso despir-se! Tirar máscaras, deixar cair disfarces. Para que venha até nós o exato do que queremos, precisamos, esperamos, nada menos que isso. Se vier menos, não haverá solução. É preciso a verdade do que estamos agora, do que somos agora, neste instante. A verdade só pode ser ela, se for toda, o tempo todo, sem descanso nem alívio, sem amenizar a nada. Se há um mar de dúvidas, que se possa dizer: mar, não poça d’água. Se existe um sonho impossível, que se possa dizer sonho, não vontade passageira, irrelevante. Como Deus atenderá àquilo que não for dito como é, na extensão do que é? Como o universo trará o que não soubermos dizer precisamente que esperamos? E se esperamos muito, que saibamos pedir muito!
Dizer a verdade não se limita a, de vez em quando, ser sincero com outros. A verdade vai aquém disso e é muito maior. Se trata de um embate nosso com o que somos, o que queremos, o que nos dói e o que nos encanta. Mesmo! De fato! Na íntegra, na origem. Usar da verdade é a única forma de dar passos certos. Sobre ela, todos são possíveis. Mas tem de ser ela, inteira, como é.
Gibran disse que se todos revelássemos nossos maiores defeitos, nos surpreenderíamos pela falta de originalidade. É vero. Se pudermos revelar, jogar à mesa todas as cartas, mostrar quem somos, veremos quantos álibis e iguais nós temos. E poderíamos pedir ao universo, ao criador, exatamente aquilo que nos falta, sem reservas. Porque estaríamos todos precisando das mesmas coisas, esperando pelos mesmos recursos, querendo os mesmos presentes. Nos falta amor, dignidade, parceria, nos falta o par, a metade, a companhia. Nos falta a fé, a esperança que nos tiraram, alguma bandeira pela qual valha a pena lutar, uma filosofia de vida. Nos falta coerência, nos falta presença, nos faltam abraços fortes, longos; nos falta amor próprio, nos falta poder de decisão, iniciativa, movimento! Nos falta tesão pela vida, intensidade, paixão! E, para tudo que nos falta, nos falta dizer a verdade. “Pedi e dar-se-vos-á”. E, se está escrito com essas palavras, nada menos, dever ser verdade. Eu pedi muito tempo por luz, por clareza, por nitidez. E veio o todo dela, da luz que eu queria, em forma de cura. Pedi por caminho e não me veio uma rua, mas o céu inteiro, infinito, todo ele que contém a todos os caminhos. Era verdade que eu Queria o que pedi. E veio. Para tanto, mergulhei dentro de mim e fui buscar a origem, a íntegra. Doeu, foi preciso destilar cada gota de dor, cada motivo de perdão. Mas na vinda de volta à superfície, era possível ver quanta verdade havia ali. E era toda ela.

Necka Ayala. 23.04.09

22/04/2009

In-coerência

“Favor não me dizer ‘eu te amo’, vá que eu acredite?”

Sempre lembro disso quando me desaponto, quando deparo com a incoerência. Quando ouço algo que me vem, logo depois, em ato contrário. Quando espero pelo que disseram que me trariam, quando conto com um calor que já viria, se as palavras tivessem mesmo lhe antecedido. Sempre lembro disso quando lembro da pureza que eu tinha em acreditar – eu cria mais. Eu podia. Quando meus olhos tinham mais esperanças que cansaços, quando meus ouvidos tinham a pele jovem que deixava passar sons mais nítidos, quando meu coração ainda não tremia à simples menção das poucas coisas que ainda se tem a perder. Eu acreditei tantas vezes quantas me disseram. E esperei tantas vezes quanto me deixaram à espera. E confiei tantas quantas foram as vezes em que pensei ter visto uma verdade. Eu conseguia! Agora tenho apego à gentileza dos silêncios, protetores...me abraço à sapiência da maturidade, que observa e já não tem mais por que declarar a nada, quando já sabe que ninguém ensina nada a ninguém, nem vão ouvi-la. Me conforto nos braços quentes e sem bagagens das certezas – eu disse menos do que fiz. Sempre soube que só temos a dar, palavras. Que todas as outras coisas são para ser partilhadas. Só damos, de fato, palavras. E é tudo que temos para dar. Me reconheço agora, no reflexo claro que vejo no espelho, sabendo que cada traço me causa orgulho, pelas palavras que escolhi para dar, e pelos gestos que vieram depois, a serem comungados, em paz. Tantas vezes repeti, viu? Porque coisas eram como eu as havia dito que seriam. E isso é alento para quando deparo com o que me desaponta. Quando espero pelo me que trariam e não vem, simplesmente não vem, como se esperar já não fosse áspero o bastante. Meu sorriso ainda guarda um traço qualquer de leveza, resguardado, que passou incólume por toda espera inútil. E ele vem de um tempo em que quase não havia palavras no meu entorno. Eu não ouvia. Naquele tempo, minha alma era mais minha e tratava de se ocupar em descobrir acordes, criar melodias, entoar cântigos, fechada em seu espaço, envolta num mundo melhor que este, da arte e da plena liberdade de ainda não amar ninguém. Lá atrás, seria simples acreditar mais nas palavras, mas elas ainda não eram tão necessárias. Hoje me sinto como quem assiste a uma demonstração impressionante de Deus, quando Deus dessaruma nuvens e as joga de outro jeito ainda melhor, e pergunta a Ele: sim, e pra quê tudo isso se tu não ouves nossas palavras, nem as que elogiam teus feitos, nem as que te pedem: me ajuda! Para quê tantas nuvens num céu se a rudeza do solo nos cegou a esperança? Deus não fala nada, para poder parecer coerente. Para que creiamos na existência disso e continuemos, as esperas...

Necka Ayala. 22.04.09

O Sol Enganador

Será que o Sol leva consigo os olhos ofuscados de tanto que a tudo ofusca, e assim, nunca tem luz? Porque ele não tem visto quanto dano causa, além de toda vida que poderia – o Sol não se consegue enxergar, nem deitar-se ele mesmo à luz do que é. Aquilo que é, nunca se tem. O Sol é toda a luz e não a tem. A morte é toda ela e nunca tem a ninguém, pois quando chega, todos já foram. Será que o Sol entende, que possa mesmo, estar dando vida, mas não consiga mensurar sua inferência? Será que percebe que mais arde do que acaricia, mais invade do que adentra, mais fere do que aquece? O raio, sobre a pele nua que passa despercebida, a pétala que nada pode fazer a não ser enfeitar a seu próprio cativeiro, imóvel para sempre...tudo entregue a ele, que segue aceso em seu leito azulado que nem ele vê. Será que o Sol sabe quando é dia e onde? Será que entende a passagem das horas? Quantas ele já tornou insuportáveis, quantas ele já viveu assim? Será que o Sol se pensa, o sol se sabe Sol? Sobre a areia, a pureza das crianças aprendendo do verão, o sabor de liberdade e sal que tem. Sobre os telhados, varais expostos, lotados de vestes com as quais nos mascaramos todos, tentando nos defender do excesso de luz, das verdades, das coisas ditas à luz do sol.
E se esses raios não forem de astro algum? Se for mentira do mesmo Deus que inventou a poesia e a chamou, romanticamente de Ilusão...? Será que era Sol que eu via? Estava ali? Eu estava. Andando numa calçada qualquer, desavisada. Brincando com a areia sem dar-me conta do mar ameaçador ali, à frente, para onde me dirigia infantilmente, aprendendo do verão, o sabor de sal e liberdade...enfeitando a sala da casa com pétalas deitadas sobre a mesa...e eu me despia para esperar inteiramente envolvida numa verdade. A verdade do que eu era, a verdade do que eu queria. E era um Sol enganador. A quem não interessa saber da força do raio que infere sobre tudo, a quem não importam os obstáculos, ele invade às frestas, todas as portas. Eu estava lá. E achei ter visto um sol sobre meus dias, os que viriam ainda e que hoje estão. Não era. E eu não sabia.

Necka Ayaa. 22.04.09
...Piedoso com todos, que tudo merece piedade
E se piedade vos sobrar, Senhor, tende piedade de mim!
Vinícius de Moraes, Elegia da Piedade - trecho

Leila, Saudades!

Um dia ouvi essas palavras de alguém que ainda me faz falta e cuja imagem volta, recorrente à minha cabeça, com saudades boas, como se tem às vezes: “distribui o bem”. Saíram da voz da Leila, uma grande amada, uma pessoa que pratica o que diz. E passei a tentar adotar a isso, como regra de vida, uma delas, depois de ter adotado há mais tempo, a tentativa árdua de sempre dizer a verdade.
Não é tão simples quanto parece, distribuir o bem. Coisas acontecem e a gente não tem toda essa abstração. Nem sempre podemos distribuir o bem, quando nos distribuem tristezas e chateações.
Tenho pensado nisso, hoje especialmente. Em quem distribua chateação, ainda que não pretenda fazer isso. Como disse a Gica, meses atrás, “és refém da minha desordem”. Pois é...às vezes acontece da gente fazer reféns dos nossos entraves, das nossas más manias, das nossas limitações. Às vezes acontece da gente deixar lágrimas, expectativas, esperas, frustrações nos outros, ainda que não veja que o fez. Acontece que fez. E isso gera uma larga cadeia de sensações ruins, de emoções desnecessárias. E é tão fácil fazer isso nos outros!
Penso no quanto eu faça isso. No quanto peça a Deus por bênçãos, sem saber que distribuí chateação em outros. No quanto eu espere graças, sem ver que dei aos outros, tristezas. Hoje essa indagação me pegou. E tento enxergar quanto eu faça de bom, quanto faça de mal. Para que possa, em tempo, voltar atrás, pedir perdão a quem feri, ainda que não tenha pretendido. É simples ver onde as pessoas magoaram a gente. Nem tão claro assim, ver onde magoamos aos outros. Então, hoje peço a Deus outra coisa: nitidez. E que Ele, se puder, também me ensine a pedir perdão, o mesmo que supostamente concedo quando me pedem, com a mesma verdade.
Somos todos falhos, isso é fato. Não podemos evitar as escolhas e suas conseqüências. Mas podemos ter a dignidade de tentar de coração aberto, enxergar onde deixamos rastros de lágrima, onde deixamos vontade de riso.

Necka Ayala. 22.04.09
Que aprendamos a dançar sem música,
a cantar sem acompanhamento,
a sonhar ainda que tenhamos noites imensas,
porque podemos. Apenas porque podemos.
Sejamos mais de nós mesmos.
Ainda que sintamos falta de mais.
Porque somos. Apenas somos.
E isso é tudo que temos.
A Cantora Favorita Numas das Canções Favoritas. Deleite-se!
Diane Schuur, Love Dance.

19/04/2009

Sis e Juarez! Amados!


Anjo Lindo, Juarez Santos

Há Anjos Lindos vindos para distribuir o bem. Quando merecemos e queremos ao bem, eles cruzam os nossos caminhos, amados e bem-vindos que são! São como mimos de Deus, regalos do Criador para quem cria luz em vez de criar a dor. Hoje recebi um desses, direto da cidade abraçada pelo mar, que o Redentor abraça – um agrado tão amado, tão leve, tão querido, que me fez olhar ao dia ainda mais abertamente. Feliz, fiquei feliz, de repente, mais do que estava por ainda crer e querer ser gente. Há Anjos que nos fazem querer mais ainda ao que queremos, de tanto bem que nos trazem de volta ao pouco bem que fazemos. E eu queria saber multiplicá-lo, embrulhar pedaços dele e distribuí-los a todos que visse deste domingo em diante.
Um Anjo artista e, de vez em quando, arteiro! Que escreve lindo e manda beijos amáveis e faceiros. Meu galante Juarez, amigo ainda não abraçado de fato, mas envolvido num carinho que descobri possível pelas vias velozes e mágicas do virtual. E mais feliz ainda, por saber que isso se transforma em concreto, pessoas e seus quadradinhos viram realidade, sentados à mesa conosco num encontro, qualquer dia desses. Já encontrei muitos dos amigos que sonhava ver. E todos até aqui, foram imensas comprovações do quanto quero o bem à minha volta – são todos especiais e lindos, são todos Anjos Benfazejos. Que Deus distribua mais e mais querer a todos os que querem algo. Para que possam ir além, também, como tenho ido. Para que possam transformar-se em realidade, abraçando a outro, como tenho tido. A cada amigo tornado real, meu beijo mais alegre hoje! Thaís, Silvia, Maurício, Izabel, Roberta, Ivi, Cláu, Juliana e Lana. E a cada amigo que ainda falta conhecer, meu Querer Imenso que seja logo: Marrod, Leda, Ticah, Lia, Loló e Juarez. Um dia a gente ainda vai fazer uma grande festa, todos juntos, como nos sonhos...e o bem que distribuímos, será somado, tido de perto, visto diante dos olhos. Sejamos todos um pouco mais felizes, quem sabe um dia, assim, de tanto querer bem, também viremos anjos...

Necka Ayala, para meu Anjo Lindo Juarez Santos, autor do livro ‘Sandra Bréa, Estrelas Nascem Para Brilhar’. Leia! É lindo como ele. A ti, querido, meu MUITO OBRIGADA!

Querer.

Ao final dessa semana diferente, às 4h30 da manhã que inicia um domingo, coisas a dizer. Coisas soltas que parecem que não irão encontrar-se entre si, mas irão. Como tudo na vida, feito colcha de retalhos, tudo faz sentido, tudo tem um porquê, uma razão de ser.
Assisti a filmes fortes, marcantes e de assuntos revoltantes nos últimos dias. Um deles, EM NOME DE DEUS. Num dado momento, uma das mulheres encarceradas injusta e cruelmente, quer se matar. Seu único objeto de sustentação, é uma medalha. Então, outra encarcerada, lhe rouba a medalha. E uma terceira pergunta como ela podia ter sido tão cruel em tirar a única coisa daquela pobre infeliz. E a ladra responde: ela queria se matar, mas não estava ainda triste o bastante. O filme, ao mesmo tempo é brilhante no texto e profundamente doloroso de ser visto. Fato real, graças a Deus, há muito tempo acontecido. Mas essa cena me marcou, por mostrar que às vezes, a gente não quer o bastante aquilo que quer.
E é preciso querer o que queremos, acima e antes de tudo, como se houvesse um ponto específico, um nível de ‘querer’. Um que acione a mudança, a quebra, o corte, a saída, a revolução, a liberdade. Vivi isso, de certa forma. Demorei demais para sair de uma determinada situação. Hoje entendo que precisava chegar ao ponto, ao TODO do querer sair. Nem 1 segundo a mais, nem 1 a menos.
Não são os argumentos racionais que nos fazem mover, chegar a esse ponto. Não é a soma de lágrimas derramadas ou a contagem de perdões que concedemos, que nos faz virar a mesa. Nem as palavras dos amigos ou os insights que temos. É o querer. Querer move a vida, apenas ele. Mas tem de ser todo o querer. O todo, mesmo que se esgotem argumentos, mesmo que cessem as lágrimas, mesmo que não haja mais o que ser perdoado.
Nosso querer transforma a tudo. E é preciso reconhecer o que mais queremos. Porém, às vezes, nossa insistência é tanta, nosso apego à dor é tamanha, nossa acomodação é tão confortável, que o que queremos passa, segue seu curso, parte. E não há nada pior que um arrependimento irreversível. Há ciscos em nossos olhos. Mas, para isso nos foi concedido o afastamento, para que olhemos de longe, podendo dimensionar melhor o que tentamos ver. Há vícios em nossos lábios, mas para tanto nos foi dado provar outros gostos. Há passos mal-dados, mas para isso nos foi dada a dádiva de voltar atrás, o que muitos consideram fraqueza e é, no entanto, humildade. Hoje, noutro grande filme, DOUBT, há uma personagem que simplesmente não ouve, não entende e não vê o que está fazendo. Às vezes, é assim, simplesmente. E quando é, precisamos deixar ir de nós o que não está nos ouvindo, nos vendo, nos entendendo. Não nos compete mais insistir, porque não nos compete apenas e porque insistir, será fazermos o mesmo conosco. No mesmo filme, diz que o amor que temos, será chamado de fraqueza pelos maus, que tentarão nos enfraquecer, julgando-nos frágeis, confundindo-nos. Mas precisamos ter amor inclusive pelo que somos e defender nossos corações da pior das enfermidades: parar de querer.
Às vezes nos fazem quase parar de querer. Por isso é preciso que seja o todo, que cheguemos ao ponto exato e o reconheçamos. Porque não nos foi dada uma vida, para que a enterremos, para que a deixemos ser subjugada. Mas nossos algozes às vezes somos nós, quando o querer que temos, é posto de lado, deixado partir. Se é preciso chegar ao todo, que consigamos. Porque de fora, nos assistem, como se assistem a filmes, nossos semelhantes. E eles esperam de nós, muitas vezes querendo muito nos tirar dali, do que nos aprisiona. De fora, nos assiste a vida, esperando que a vivamos com dignidade e amor próprio. O tempo todo, os que nos querem bem nos vêem repetindo os mesmos caminhos, tomando as mesmas escolhas que nos esmorecem. E, de fora, em silêncio amoroso, se perguntam por que o fazemos. É porque não queremos tanto assim, não ainda. Como aquela que ainda não estava triste o bastante para acabar com a vida, já que a vida, naquele caso, não fazia sentido. Prisão nenhuma faz. E quando nos tiram a liberdade, é demasiado cruel. Mas quando nós permitimos, é demasiado triste.
É preciso querer ser livre, ser gente, ser feliz. É preciso querer ver horizonte, céu aberto, futuro! E é preciso, sempre que possível, lavar os olhos, voltar atrás um pouco, para que não percamos o ponto certo, o exato ponto do todo do querer. Somente ele traz a chave ou as asas. E ninguém pode sabê-lo além de nós.
Ficando sem o que eu queria, agora, enquanto amanhece, tenho mais certeza ainda do que quero. “Me apaixonei pela felicidade e não quero mais viver sem ela”. Felicidade. Algo que existe de fato! A despeito de algozes, tiranias e auto-boicotes. Felicidade é pura e simplesmente, um querer imenso, gigantesco e são! Depois que se Quer, basta um passo, um vôo e a hora certa.

Necka Ayala. Para RVD, LM e PB. – São 5h agora.
Filmes:
- A Dúvida
- Em Nome de Deus
- Noites de Tormenta
- A Troca
- O Estranho Caso de Benjamin Button
Músicas:
- Mil Perdões, Chico Buarque.
- Mandarim, Cida Moreyra

17/04/2009

Abril

Eu não me despeço das coisas que sinto. Não posso fazê-lo, não há razão pra isso, nada que me convença a fazê-lo. Porque as coisas que sinto não precisam ter fim. Eu não aceito o fim das coisas. Não me desfaço de fotografias de pessoas que amei, nem delas. Tê-las amado, fez de mim algo melhor. Tê-las querido o bem, me fez mais do que eu tinha. Olho para elas, pessoas que tive, com as quais estive, pessoas que amei porque era inevitável, porque eram apaixonantes demais ou ternas demais...pessoas que vieram para ficar gravadas como que a ferro e fogo, nas coisas que se forjavam em mim. Pessoas que amei tanto quanto mais perdões nos concedemos, e mais despedidas, e mais adeuses, e mais compaixão. Não amputo de mim essas partes somadas, que tiveram vida, que se moveram, que me moveram. Algumas trazidas com suas marcas de cicatrizes; outras levadas na leveza de um adorno, enfeitando o que trago, o que tento ser, contagiada pela beleza delas, interna, eternizada; amigos, e foram muitos, são, com os quais vi estradas, mares, partilhei mesas, com alguns com quem sentei à beira de lagos, ao calor do fogo, às rodas de violão. Amores que senti e que continham também outras facetas, outras caras. Pessoas mais velhas que tive como mestres, às quais admirei com um amor de vida toda, ancestral; crianças que vi nascer de toda pureza e amei, imediatamente.
Não meço as coisas que senti, porque elas não acabaram ainda. E nunca o farão. Olho, observo as cenas vividas como se assistisse a um filme. Com aquela atmosfera de tempo, de trilha sonora ao fundo, que sempre rodou na minha cabeça. E mesmo quando senti dor tamanha que não mais cabia em mim querer sentir mais nada, ainda assim, posso olhar agora, de novo voltar meus olhos para essas também, porque não se guardam as dores – os risos persistem mais e o entendimento. Somos todos iguais, por dentro, por fora, nas horas em que amamos, nas que desistimos de exercer amor. Quando ferimos, são as mesmas mãos. Quando recolhemos lágrima, também. O tempo passa, consome os dias e leva com ele quaisquer ressentimentos. Hoje, posso olhar para tudo que sinto com o meu consentimento.
E ainda que minha boca tenha deixado de querer sorver ao que ia aos lábios de outras, minha boca profere palavras de nostalgia e doce recordação, pelos momentos em que lhe coube querer. E ainda que meu corpo esteja longe dos corpos de meus amigos, talvez para um ‘para sempre’ imprevisto, meu corpo relembra cada abraço como se estivesse lá, perto, novamente. Ainda que meu sangue tenha se afastado dos que levam nas veias o mesmo sangue, meu nome leva com ele a história, o dna, inscrito até o fim.
Olho para tudo, para todos, de longe agora. E sinto amor, apenas um amor embalado pelos braços quase recorrentes das lembranças. E não vejo por que não ser assim, uma soma imensa de coisas boas sentidas, vividas, minhas! Com orgulho de tê-las vivido, com orgulho de ter aceito à chegada de cada uma, tanto quando pediram coragem, como quando pediram para ficar pouco tempo. Olho para tudo, para trás. E sorrio para as coisas que sinto, mesmo as que não sinto mais. Sorrio para meu passado, como se sorri mais uma vez diante de uma roupa querida e antiga que não serve, mas que sabemos quanto foi usada e confortável sobre a pele. Não me desapego das coisas que sinto. Apenas sinto mais. Sigo indo assim, de peito aberto, a cada dia um tanto mais. E quanto mais coisas posso sentir quando outro dia nasce, mais caras e mais ricas se tornam as outras. Porque são como anfitriãs que recebem as novas – lhes abrindo espaços, oferecendo o assento melhor, fazendo parte do todo. O todo do que eu seja, fui e ainda serei.

Necka Ayala.17.04.09

“Sinto o abraço do tempo apertar e redesenhar minhas escolhas...” (Abril, Adriana Calcanhoto, por Leila Pinheiro)

16/04/2009

Trocadilhos NA.

'AMOR INCONDICIONAL'
é Pleonasmo.

15/04/2009

Música Favorita:
Waiting For My Real Life To Begin
COLIN HAY

Saí com Sol, voltei com esse Céu!


Pensando em Dalai amado,
começei hoje uma novena para
SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS, Santa Teresinha das Rosas.
Que Deus siga me protegendo e guiando meus passos.
Que Jesus Amiguinho continue seguindo ao meu lado.
Que São Judas Tadeu Querido siga me abençoando.
Que Santa Teresinha das Rosas siga me ouvindo.
"Age como se tivesses fé e a fé te será dada."
BEIJOS a todos.

Desordem

Nem tudo vem ordenado, na seqüência lógica que acostumamos a esperar, na cronologia prevista por nossos conceitos limítrofes. Às vezes as coisas vêm de modo inusitado, fora de ordem, por obra do destino - talvez para que aprendamos a lidar com isso, com o que nos faz aprendizes eternos, para nos lembrar que nada sabemos, do quanto não somos ainda tanto quanto gostaríamos.
Às vezes o amor chega antes. E se estabelece ali, como quem não quer nada. Vai percorrendo seus veios, arando o solo por debaixo dos pés, para um futuro que só ele sabe que virá. Vai deixando sementes de outros sentimentos e sentidos pra depois assistir, conosco, sentado ao nosso lado, cada broto – seu surgimento. Às vezes o amor vem primeiro como anfitrião de outras sensações, que virão visitar nossos recantos mais ocultos. Ele arruma a casa, prepara o alimento, põe para gelar o vinho, enfeita com flores a mesa, abre as janelas para ventilar os cômodos que serão usados depois. E observa. Fica como sentinela contemplando o coração afoito, muitas vezes gasto pelas esperas e pelas noites vazias. Mede. O amor sabe que corações são peregrinos e andam, vasculham estradas, tomam atalhos e passam errantes por onde não pretendiam ir. Mas vão, sem conseguir voltar às vezes, sem achar o caminho correto que lhes daria conforto de novo. O amor a tudo vê. E espera. Às vezes o amor chega para ser protetor, como anjo da guarda, que pretende defender um coração ferido de mais machucaduras. E o faz. Pensa consigo em levar embora toda dor guardada, em tratar daquilo como curandeiro. Nem sempre pode, mas gostaria, porque o amor é assim e tem mãos de afeto.
Às vezes depois dele vem um laço ainda mais altruísta, de amizade legítima, de querer bem. E isso também tem a ver com amor. Porque não se vê a si mesmo, não visa a obter nada. Querer bem apenas, como quem quer que o mundo dê certo, como quem se engrandece ao nascimento da flor. Querer ver sorrisos estampados e constantes nas bocas dos outros, querer ver danças se anunciando sobre as pernas e abraços sendo dados, cada vez mais longos. Querer o aconchego e a partilha, a solidez dos ouvidos atentos às palavras ditas, a resposta terna da cumplicidade. E cada coisa dessas tem a ver com amor. É como se fosse plantio dele, sua colheita – uma vez feita, não há mais volta, porque a amizade é como se dividíssemos em partes o que somos, e andássemos vida afora lado a lado com elas.
Às vezes, mesmo fora de ordem, ainda chega uma paixão. E nem sempre sua essência é de puro desejo, de pura matéria. Pode vir vestida da alegria do encontro, da beleza dele, em ser o que é apenas. De olhos que se fitam e nada dizem, sorriem. De mãos que se tocam e se acham em pleno descanso, apenas, porque encontraram outras. É como se, depois de tanto segurarem o nada, pudessem encontrar-se a si mesmas no reconhecimento do calor de outras, que também andavam sós. É como redenção. Pele que não acha sentido em ser somente ela, sem encostar em nada. Às vezes a paixão trata-se disso, de resgatar sentido nos sentidos. Se pousar saliva doce onde só descia o sal da lágrima, de lágrima também, mas de resgate, como se a paixão libertasse o corpo de algum cativeiro. E ela nem sempre é, nem sempre vem, nem sempre está como se imaginava que seria. Nem sempre comete arroubos, dramas e cenas insanas. Pode vir como brisa, devolvendo alívio; pode trazer consigo instantes cheios de silêncios e delicadezas; pode ser repleta de risos e ludicidade. E, ao contrário do que se pensa, justo porque se pensa sobre coisas impensáveis, ela pode ir além. Pode romper caminhos, reajustar cursos, corrigir rumos e desaguar em destinos sobre os quais não considerávamos nós, os percorrendo. E isso nos refaz a capacidade de andar, simplesmente.
Nem tudo vem numa ordem conhecida. E o que começa pela paixão, como sempre vimos acontecer, para chegar ao amor um dia, como esperamos acontecer, pode inverter a tudo, tirar as coisas de seus lugares, para deixar a tudo ainda mais certo. Nada que sentimos pode ser mensurado pela razão. Nunca sabemos tudo que pode sentir nosso peito imensamente largo. E o tempo trata de colocar nossas coisas todas em novos cantos, como fazemos com nossas casas, quando cansamos. Às vezes tudo que parece estar desalinhado, está somente se realinhando para um depois que nossa vista não alcança. Coisas que não sabíamos, vieram. Outras, julgadas perdas, podem ser refeitas, revestidas de outras roupagens, outras facetas, guardadas pelo próprio tempo, para ele mesmo, mais tarde. E tudo que nos acontece peito adentro, tudo que nos acomete pela superfície da pele, tudo que nosso coração espreita, tudo que nossa alma credita, está sempre certo, porque nos molda, nos forja, nos esculpe, nos prepara, nos enfeita.

Necka Ayala. 15.04.09