Ela me diz às vezes que gostaria de saber mais, assistir e lembrar mais sobre os filmes que vemos, sobre as coisas que lemos, sobre as letras das canções e os poemas descobertos. Diz que queria absorver mais cultura, adquirir mais sapiência, ter mas moedas de troca das coisas que me são tesouro!
Eu tive isso. Muito disso. De gente que sabia sobre tudo, que despejava a soberba do conhecimento aos meus pés. Tive quem cantasse com voz de veludo aos meus ouvidos, tenho ainda...amigos; tive quem escrevesse mais do que eu conseguiria, melhor e mais frequentemente; tive quem me mandasse canções definitivas e quem marcasse a história com cenas de filmes.
Mas uma vez, me visitando de Brasília em São Paulo, onde eu estava ainda morando só, fazia frio. Era 2010, abril. E começava a ventar forte. Minhas malas não haviam chegado. Faltava tudo. Cheguei do trabalho e, em cima da mesa, uma sacolinha pequena da Lupo, com pares novos de meias quentes e um bilhete: ˜”..de tudo ao meu amor serei atenta...”. Ela não sabe tudo de poemas. Os exerce.
Às vezes a parte inteira é maior do que o Todo. E nela há tanta tanta tanta beleza, que tudo que vi de fealdade, se rendeu, partiu, se apagou diante da luz dos olhos dela. Ela, só ela, me exerce.
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