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26 de out. de 2008

50% de Cada Um, São Dois.

Depois de um período longo de convívio com uma determinada pessoa, aconteceu há pouco, uma longa conversa sobre ajuda. Coisa que sempre foi motivo de questionamento pra mim: ajudar. É uma palavra que a “família” costuma usar indiscriminadamente. E sempre tive uma antipatia por isso. Ajudar é uma coisa que nem deveria ser pronunciada uma vez que se queira de fato ajudar.
A pessoa em questão, dias atrás, teve um problema. À qual deu uma importância maior. Puxando de dentro uma paciência que eu não tinha naquele dia, fui oferecer a mão. E qual não foi a minha surpresa ao levar uma bronca sobrenatural. Ficou muito brava! Mas muito! Me xingou de tudo! Tipo: que que tu sempre tens de dar uma de boazinha, vindo oferecer ajuda...vai à....!”. Ok. Deixei quieta. E me recolhi ao meu mundo querido de músicas, que me resgatam e me devolvem a paz que tanto prezo. Ou seja: fui ajudar a mim. Hehehe!
Vontade de ajudar a gente tem. Oferece. Deixa ali caso a pessoa queira vir buscar sem que a gente veja. Tipo largada em cima da mesa, assim como quem não quer nada. Ter o que ofertar a gente tem. Se não tem, inventa: brinca, diz besteira, faz rir, ou vai junto ao oratório e pede a quem sempre tem! E, enquanto a ajuda superior não chega, a gente tenta outras coisas, tipo desfocar do problema, partir pra filosofia, enfim...convida pra dançar, acende incenso, bota um filme logo pra rodar...!
Bem. Voltando à conversa longa de hoje. Num determinado ponto da conversa, falei pra ela que o lance às vezes de se oferecer uma forcinha, é perceber no outro a vontade de receber. Porque quando a pessoa quer vir, quer receber, isso muda, quebra o ciclo vicioso! A energia em volta muda. A gente fica às vezes olhando a cena: aquela eterna repetição de vícios que não dão em nada e causam mais problemas. Sente o peso sobre os ombros do outro. Assiste lágrimas jorrando cara abaixo dias a fio. E oferece a mão. A pessoa briga e segue pesada, repetindo, afundando mais. Oferece a mão de novo. E de novo. Até que cansamos, porque não vimos vontade de volta. E é exatamente esse o momento-chave! Ver que do outro lado há vontade de mudar mesmo. Às vezes a pessoa não consegue sozinha. O que tem? Que mal há em receber? Ok, tá certo, eu também custei a gostar de receber. Mas foi bom! Garanto! O clic está nesse exato momento: quando a gente percorre os nossos 50% do caminho e o outro percorre os 50% que lhes compete. No meio é que mora a mudança. Eu disse a ela: o problema, é que tu nem queres querer. E deixei assim.
Tudo seria diferente se não estivesse eu, de novo, parada no ponto de chegada dos meus 50% do caminho. Eu vim até aqui, mas vim sozinha. Contando apenas com a ajuda de Deus que nunca desiste! Ele costuma vir tanto quanto costumo ir. Por isso sempre nos encontramos, Ele e eu.
Tenho a declarar, depois dessa e de uma cena de ontem, quando fui com outra amiga querida resolver um problema dela, que é lindo ir com uma amiga querida resolver um problema dela. Lindo! A gente fica feliz junto! Comemora, festeja, partilha, curte a viagem de trem, a chuva, enquanto ri, soma esperanças, enquanto festeja o afeto provado via-gesto, sem palavras. É linda a palavra Comunhão! Tudo que é plural é lindo. Dois, juntos, com. Cheguei em casa banhada de chuva, rindo, feliz! Ela sabia que eu gostava pra caramba dela. Eu tinha dito, em palavras. Ontem ela soube o quanto.
Podíamos estar nós, agora, aqui em casa, ambas assim. Teríamos jantado em paz, curtido a comida feita com carinho, a coca geladinha, talvez até a chamasse pra curtir um som de guitarra junto, com. Poderíamos estar as duas agora aqui, numa mesma sintonia boa de partilha. Se ela quisesse. Que pena! Eu realmente lamento. Mas a minha vida precisa seguir. Porque EU quero! Né Mara? A gente sempre quer. Quer vida, vertigem, viagem, risada solta de doer a barriga no outro dia (né Roberta?); a gente quer prazer pra aliviar as dores, os fracassos, as tristezas, as decepções. Tão bom! Tão bom dançar à luz de velas pelo quarto. Era mesmo muito bom! Ver filme comendo pipoca! E há de ser de novo, um dia, quando alguém quiser e puder vir ao meu encontro. Percorrendo os seus 50% do caminho, na simples intenção de ser feliz. Obrigada Deus, por ter me ensinado a dar e a receber. Bem certinho: 50% de cada um.

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