Então...pois é...algumas coisas são mesmo. Outras não são. Vê bem: são muitos amores. Uns passados, outros presentes e uns futuros que se anunciaram, muitos: e uns têm vingado, outros desaparecido sem explicações. Falo sobre todos eles, às vezes, misturado. Falo de tudo um pouco. Porque são amores, todos, afinal. De vestes distintas, faces diferentes, paixões, flertes, jogos, amizades, cumplicidades, amores mesmo. E todos têm coisas em comum, metáforas que se prestam a todas as facetas. Alguns já dei como mortos – apenas ainda estou a doar suas roupas, reciclar seus objetos, como se faz com alguém da família que parte definitivamente. Outros estão no gerúndio, morrendo, enquanto estendo mais uma vez a mão a eles, umedeço seus lábios secos, rezo, peço por eles: que possam ir em paz quando puderem. Uns virando profunda amizade, se delineando ainda, tomando consistência, ganhando peso, conquistando espaços.
Há os engraçados, galanteadores, cheios de presentes de Bom Dia, de romantismo arcaico, literários, loucos! Que muito me encantam, te confesso. Faço trocas com eles de palavras instigantes; isso me fascina, me ocupa, me distrai. Como o fazem os que jogam, vindo se abrir comigo, me contando suas aventuras, não pra que eu as saiba, mas lhes seja cúmplice: assim, podem pecar sem levar com eles todo o fardo da culpa.
Outros têm me posto louca. Admito! Me causam dúvidas, geram incertezas, não querem definir-se. Não ligo. Porque a demora deles em se decidir, quanto maior, melhor! Isso garante que o resultado do solo que cultivam, será ainda mais vasto do que eles julgam estar, assim, evitando percorrer. Se por um lado cultivam terras para a acomodação, promovem seu descanso eterno! Se por outro fogem da semeadura, sem querer fertilizam ainda mais a terra sobre a qual julgam estar podendo levitar sobre.
Pois é, isso é típico da gente. Misturar, compor, tecer: cordas da Mara, cores da Lia, palavras da Cássia, setas da Sis. Sementeiras, certeiras, vivas! Estamos vivas afinal! Buscando, perguntando, aprendendo, trocando, mexendo, errando, crendo, se enganando. E eu, humana, também me equivoco. Tantas vezes entreguei meu coração inconseqüentemente. Talvez por isso ele tenha se curado quando nasceu doente. O amor nos cura. Desde que seja Amor São. Posso não tê-lo tido de ninguém a mim. Mas o exerci inteiro em cada dia que vivi, todo, Amor de Curandeiro. E dele, sei muito! Posso garantir.
Não, amada, não há peso. Há licença poética, exagero de quem sente intensamente desde o gosto encorpado do café, até o sabor aguado da lágrima. Tudo desmedido. É que quando a gente tira de dentro, o teor vai nas palavras. A gente alivia, o texto pesa. E me entristece pensar agora, nos que nada dizem, os que não têm como tirar de dentro de si o que lhes perturbe. Como ficam? Como esvaziam? Como resolvem? Tive agora uma profunda compaixão pelos meus amores. Todos eles. Emaranhados em suas teias de perdição, culpas e medos; andando labirintos de covardias, de arrependimentos; impedidos pelos muros que ergueram. Amores que não foram além porque não quiseram. Paixões que não se deram, por não se libertarem.
Sigo livre. Amando a todos meu amor libertário. Que não prende, não cobra, não julga: entende. Sigo só. Porque nesse ponto não achei quem possa com tanto. Sigo fiel a mim mesma, fiel a Deus e à Arte. Fiel a eles, todos, os meus amores. E já que eu não pude, que Deus os cuide, os liberte, Deus-Redentor! E que a Arte os responda, os identifique, os desnude, mostre quem são. Como desnuda e mostra, a mim.
Há os engraçados, galanteadores, cheios de presentes de Bom Dia, de romantismo arcaico, literários, loucos! Que muito me encantam, te confesso. Faço trocas com eles de palavras instigantes; isso me fascina, me ocupa, me distrai. Como o fazem os que jogam, vindo se abrir comigo, me contando suas aventuras, não pra que eu as saiba, mas lhes seja cúmplice: assim, podem pecar sem levar com eles todo o fardo da culpa.
Outros têm me posto louca. Admito! Me causam dúvidas, geram incertezas, não querem definir-se. Não ligo. Porque a demora deles em se decidir, quanto maior, melhor! Isso garante que o resultado do solo que cultivam, será ainda mais vasto do que eles julgam estar, assim, evitando percorrer. Se por um lado cultivam terras para a acomodação, promovem seu descanso eterno! Se por outro fogem da semeadura, sem querer fertilizam ainda mais a terra sobre a qual julgam estar podendo levitar sobre.
Pois é, isso é típico da gente. Misturar, compor, tecer: cordas da Mara, cores da Lia, palavras da Cássia, setas da Sis. Sementeiras, certeiras, vivas! Estamos vivas afinal! Buscando, perguntando, aprendendo, trocando, mexendo, errando, crendo, se enganando. E eu, humana, também me equivoco. Tantas vezes entreguei meu coração inconseqüentemente. Talvez por isso ele tenha se curado quando nasceu doente. O amor nos cura. Desde que seja Amor São. Posso não tê-lo tido de ninguém a mim. Mas o exerci inteiro em cada dia que vivi, todo, Amor de Curandeiro. E dele, sei muito! Posso garantir.
Não, amada, não há peso. Há licença poética, exagero de quem sente intensamente desde o gosto encorpado do café, até o sabor aguado da lágrima. Tudo desmedido. É que quando a gente tira de dentro, o teor vai nas palavras. A gente alivia, o texto pesa. E me entristece pensar agora, nos que nada dizem, os que não têm como tirar de dentro de si o que lhes perturbe. Como ficam? Como esvaziam? Como resolvem? Tive agora uma profunda compaixão pelos meus amores. Todos eles. Emaranhados em suas teias de perdição, culpas e medos; andando labirintos de covardias, de arrependimentos; impedidos pelos muros que ergueram. Amores que não foram além porque não quiseram. Paixões que não se deram, por não se libertarem.
Sigo livre. Amando a todos meu amor libertário. Que não prende, não cobra, não julga: entende. Sigo só. Porque nesse ponto não achei quem possa com tanto. Sigo fiel a mim mesma, fiel a Deus e à Arte. Fiel a eles, todos, os meus amores. E já que eu não pude, que Deus os cuide, os liberte, Deus-Redentor! E que a Arte os responda, os identifique, os desnude, mostre quem são. Como desnuda e mostra, a mim.
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Leio.