Pesquisar este blog

20 de nov. de 2008

...E (de neeeeeeecka e de fêeeeeeee)

Clara. Muito clara. Uma pessoa de cujos olhos não se tem escape. Olhos de dentro, da alma, que enxergam longe, na gente, coisas que a gente não vê. Olhos de fora, azuis, verdes, depende do dia, da Luz do Dia. Olhos que amansam a voz que sai dela. Voz de leveza de pena. Que pergunta aquilo que já sabe, só pra gente ter de se auto-responder. Leveza de tirar delicadamente a máscara da cara da gente. Cada uma, bem devagar, gentilmente.
Coração claro, também! Se mostra. Se deixa ser o que é. Cabe muito ali, cabem muitos. Cabem as duas pontas de um Fio tecido pela Vida-Artesã dez anos atrás. Ela une as pontas dentro dela; e borda com elas, fora, agora. Coração que espera, que aguarda a chegada de seu hóspede. Um príncipe encantado que não monte cavalos, mas, alado, saiba mover os 4 pares de asas que ela tem. Que seja um cavaleiro errante, um domador de estradas – o outro sentado ao lado no pedalinho.
Alma que ainda não exerceu o todo do amor que contém. Amor este onde a própria alma está, contida. E ela o conhece de tanto que conhece, observa, ajuda a nutrir aos amores que vê. Ali, feito sentinela, testemunha, guardiã.
Clara também de se deixar transparecer. De fome de carinho, fome eterna, insaciável. De riso e de conversas, de trocas e de planos para um futuro qualquer, desde que seja junto! Clareza nas palavras que usa, nas declarações que faz e são muitas, são lindas, são dela! A cara dela, que também é linda! E me ouve tocar como se nem estivesse ali, de tão envolta no silêncio – na atenção pra não fazer barulho! (outro tipo de declaração de amor: à música) Que nem quando amar é mais aceitar do que entender.
A casa dela é Beatriz. Até tem Chico na parede. Uma sacada onde a gente fica à noite conversando e fazendo de conta que a fumaça não entra. Tem uma bicicleta de paus de árvore, pequena, ou como ela diz ‘pique’. Ah, Pique também é uma outra pessoa, uma espécie de outra parte dela mesma, que vive fora, noutro corpo, noutro endereço.
Leva as noites como se o avanço das horas não fosse cansar no dia seguinte. Porque não pode, simplesmente não pode, deixar nada pra depois: seja um filme sobre o vermelho do céu que ela já viu, seja um banho pra dormir faceira do lado, seja um conselho de amiga pra gente pensar enquanto o sono não vem. E nada de fechar os olhos coloridos antes de mais um carinhozinho básico, o centésimo do dia.
Clara de ser clara. De tornar claro. De clarear, esclarecer. De luz. Muita luz de diversas cores. Luz do Dia de hoje, que começou aberto, ensolarado, e fechou agora há pouco. Ta chovendo. Que cor têm teus olhos agora, Fêeeeeê?

Neeeeeeecka Ayala, na tua casa. Tarde de Quinta, 20.11.08 (enquanto ligavas pra cá de novo)

Um comentário:

  1. Certeira, sempre! Me conheces como poucos, me descreves como ninguém.
    Amiga, amada, que me fez sentir, bem, como nunca me senti na minha própria casa.

    ResponderExcluir

Leio.