Porque paraste de procurar por elas, devo deixar de dizê-las? Elas vinham livres e nem todas eram tuas. Mas vinhas, te apropriavas delas, todas elas, todas tuas. Elas eram lindas, quase todas, e saíam às ruas, ganhavam mundos, geravam coisas nos ouvidos das pessoas. Pessoas sós de vidas cruas, vidas frias, sem desejos – vidas poucas. Porque mandaste embora meus gestos impetuosos de paixão, devo deixá-las quietas? Elas gritavam aos ventos, aos quatro cantos do mundo, canções de movimento, de gestos, de corpos inquietos. Elas vinham zonzas da tua presença inquietante, perturbadas, insones, viradas como que pelos avessos e eram tomadas de ti por todos os lados. Porque nunca sentiste coisa alguma, mas vinhas, mesmo assim, buscar por elas, devo torná-las nada? Elas eram tudo que eu tinha, tudo que eu via, tudo que eu tocava. Palpáveis, ainda que encantadas pela tua imagem abstrata. Elas estavam onde tu nunca estavas e eram minhas quando tu não serias, não podias, não deixavas.
Porque cortaste o fio que alinhavava a elas, devo parar de costurá-las? Mas elas vêm tecidas, vêm mescladas, vêm em pares e são coloridas, todas elas, lineares; se estendem no tear das coisas que sinto, vêm tramadas para um fim preciso, um fim de manto que me cubra às noites frias – elas não são doloridas. Porque travaste o movimento, porque paraste a viagem, porque desceste do topo, devo parar de me atirar a elas? Mas elas são feitas de dança, se prestam a trocar de lados, se provam ao sair de dentro, se importam com o que revelam, com o que significam, o que representam! E são verdadeiras, não mentem, não se poupam, não se escondem, não se contentam. São todas nuas, soltas em seus cenários, ao sabor do vento, leves, velozes, fortes, intensas. Porque deixaste de lembrá-las devo parar de cantá-las? É meu silêncio que queres? Que eu emudeça, que eu desista, que eu me afaste delas, que eu te esqueça?
Necka Ayala – Brasília, 19.11.08 – 16h30.
Porque cortaste o fio que alinhavava a elas, devo parar de costurá-las? Mas elas vêm tecidas, vêm mescladas, vêm em pares e são coloridas, todas elas, lineares; se estendem no tear das coisas que sinto, vêm tramadas para um fim preciso, um fim de manto que me cubra às noites frias – elas não são doloridas. Porque travaste o movimento, porque paraste a viagem, porque desceste do topo, devo parar de me atirar a elas? Mas elas são feitas de dança, se prestam a trocar de lados, se provam ao sair de dentro, se importam com o que revelam, com o que significam, o que representam! E são verdadeiras, não mentem, não se poupam, não se escondem, não se contentam. São todas nuas, soltas em seus cenários, ao sabor do vento, leves, velozes, fortes, intensas. Porque deixaste de lembrá-las devo parar de cantá-las? É meu silêncio que queres? Que eu emudeça, que eu desista, que eu me afaste delas, que eu te esqueça?
Necka Ayala – Brasília, 19.11.08 – 16h30.
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