Como eu poderia supor que havia mais? Havia mais. Entendo agora. Havia mais. E era em mim, dentro, mais. Percebo agora. Estava escondido. Mais sorrisos, mais vozes, mais caras e são lindas, todas elas, essas caras que vejo de manhã. A dela nunca. Nunca vejo. Sinto falta, mas não vem. E havia mais à sua volta, que eu não enxergava – acho que não queria. Mais rostos, gostos, expressões, e palavras...muitas; há sempre mais palavras por aí querendo ser escritas, querendo estar inscritas nas pessoas que amam, querem, amam, desejam, amam, esquecem, amam, perdem, amam, continuam, amam, voltam, amam, dormem ao lado, amam sonham distância. Há sempre mais palavras quando não é ela quem fala, que aparece na tela. Ela pisca, outros acendem sol permanente. Havia mais respostas, mais de tudo – um tanto. Meço agora. E era em mim. Dentro. Fotografias, cenas, risadas, confissões, lágrimas, coisas que sei porque me contam aqueles que sentem que podem confiar em mim. E podem! Porque sou do bem. Sou de Deus. Sou do Amor. E de Juju Tadeu! Do todo de tudo que sinto, que sei. Te juro agora! Eu juro que sei. Mas havia mais. Mais saudades de quem não conheço; mais escombros do que eu não quero; mais brancura noutras peles, tantas!, mais olhares, muito menos paz. Havia mais certezas noutras bocas, tontas. Porque na dela não há nada mais. Eram mais morenas as cores do meu dia, onde eu não via, do que era lá. Havia mais coisas de mim a serem dadas e era a outras mãos que elas se destinavam. Compreendo agora! Só agora! Enquanto falo contigo, enquanto te pergunto que dia é hoje? no mensageiro, escrevo aqui ou lá, tanto faz! Dá na mesma. Tudo que escrevo vai parar primeiro nos teus olhos. Sempre. Sempre estás. Dentro, fora. Creio agora, agora sim. Encontro. Palavra linda. Ausência, palavra-risco. Havia mais tempos, outras horas, outras – que podem. Que param. Que vêem. Quando bem entendem. Abrem as janelas na tela e assistem, podem, podem ver. Agora! Neste instante cheio em que falo contigo e nem sei onde estou! Pessoas também, humanas: com horas suas, sem muros do castelo, com olhos ávidos por mais, mais de tudo, mais vida, mais incêndio, mais insônia, mais tremor nas mãos enquanto lêem, pasmas de tanto que se compreendem, também. Elas sabem que estão dentro de mim. Se perguntam, será, quanto estou dentro, in-nelas? Sorrio agora. Sorriso feito de sei lá o que que todo mundo fala, que todo mundo vê. Não vejo nada. Não vejo saída em mim pra tanta coisa. E havia mais. Havia outras poetas que me disparam, me alvejam – eu sinto agora. Está aqui. Na verdade, as tinha visto, de relance eu acho. Segui indo...indo...a esse não-encontro. Fixada nas coisas que se perdem todos os dias; focada na cara dela, que some todos os dias. Ouvindo a voz dela que ecoa abismo adentro quando se desliga todos os dias. Escrevendo pra ela que nunca lê a nada, nem quer - que não pode, não tem tempo, não tem saída dentro dela para tanta coisa. Dentro dela, há mais –também. Vinha enlouquecendo nas coisas lindas que ela me diz e eu creio, eu sou de Deus, me sentia segura crendo. Era bom assim. Andava na rua a esmo, centrada nas coisas loucas que ela me causa. As coisas que ela me causa precisam ter fim. Porque há mais? Porque sou, mesmo não querendo? Eu não sabia. Eu não sabia? Eu disparei um tiro, um único – mirado nela. Um Projétil. Palavra forte. Estilhaços, palavra plural. No caminho ele cruzou um holograma. De energia pura. Mirado nela, se estilhaçou e acertou todos, menos ela. O holograma também se partiu. Junto os pedaços agora. Estão aqui. São muitos. Acabo de ver um imenso...azul. Constato o tamanho dele pelo espaço que ocupa em mim. Havia este. Como eu poderia supor? Como poderia suportar a tamanha perfeição? Encontro. Palavra linda. Ausência, palavra-não-vinda.
Necka...08.11.08...12h37
Daqueles 'Seus' momentos, que nada devemos comentar..apenas sentir.
ResponderExcluirAmo Sis, amo.