Há um grande baú junto à janela grande do meu quarto. E a janela dá pra rua. Um céu imenso se pode ver dali. O azul intenso do céu do sul. Escuro, quando é noite, quase breu. Às vezes aparece lua. E tento fotografar inutilmente. Nem sei se lua existe... Na diagonal, à direita, uma árvore enorme que solta folhas sob o telhado. Ela deixa que caia aquilo que não vive mais nela. E uma luz de rua contrasta. Tem vezes que me invade uma tristeza imensa. É raro, mas acontece. Apago as luzes todas da casa. Acendo um incenso qualquer que não escolho, pego o cigarro e sento no baú. Fico olhando a rua, o céu, a lua, as pessoas que saem à noite com seus cães...e tudo me entristece mais ainda. Tem vezes que a tristeza é por tudo, por cada coisa e por todas, juntas, de uma vez, só. Às vezes me sinto só. E sou, na verdade, sou. Só eu penso como penso, só eu sinto quanto sinto. E nessas horas, eu tenho quase certeza de que esta, é a sensação antecipada que a gente terá quando partir. Só, para dentro de outro baú...
NA. 06.12.2008
NA. 06.12.2008
"Morrer deve ser tão frio, quanto na hora do parto."
Gil - Aqui e Agora.
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