Pois tendo visto a estrada afora aberta a frente oferecendo-se inteira ao passo eternamente, pois tendo tido a vontade agora certa em mente alimentando-se do imaginado, pois sendo assim de hora pra outra uma nova, uma outra, nascida de si mesma e do que havia semeado...deu-se toda à felicidade que se mostrava ali, diante dela, de repente. Uma outra, uma nova, encantada. Uma solta, uma à mostra, uma imantada. Era a estrada. Era ela quem chamava. O asfalto cinza, o céu sobretudo azulado acima, os verdes da floresta percorrendo os lados. Era ela, a estrada. E era o passo, o primeiro, o mais demorado – o pioneiro. O passo vitorioso que engolia a hesitação e a lançava destino adentro, um outro, um novo, um movimento. Pois tendo sido presa há tanto tempo acorrentada dentro, enquanto julgava amar àquilo que não lhe deixava ser nada, pois tendo sido amante de coisas desamadas, havia agora esse futuro, essa promessa e essa estrada aberta e infinda, assim, dada desde o primeiro passo rumo a qualquer lugar e nem importava...não importava a direção, não mais. Não tanto. Importava ir. Pois tendo vislumbrado ainda que de relance a face de uma felicidade qualquer, ela cedera. Era a estrada. O encanto que ela trazia impressa em linhas pintadas ao centro dando a impressão de segurança e ponto-de-chegada. Não importava mais. Ela ia. Agora ia. Agora sim.
Necka Ayala. 27.12.08
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Leio.