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1 de dez. de 2008

Era de Aquário.

Era para ser cortante, forte, adentrador, como o som da guitarra no meio da tarde. Cada vez que toco, sei mais sobre isso. Cada instante vivido me faz menos aprendiz. Meus dois olhos negros se fixam no que querem ver pra sempre, no que querem ter pra sempre, não como se tem a uma fotografia, a um quadro, a uma lembrança. Ter como se tem ao exercício do toque da pele sobre as cordas.
Era para te trazer pelos cabelos. Fios querendo ser “tecido” em minhas mãos. Largados, entregues, rendidos. Cada vez que imagino, menos infeliz. Minhas duas mãos te esperariam, vazias e limpas, e vão querer pra sempre, porque não tiveram: não como se quer a uma quimera, a uma fantasia, a uma esperança. Querem para vingar o que são, no exercício do todo, pele imersa nos teus vãos.
Era para vir rompante. Firme, transbordador. Como a água da chuva rompendo a derme da nuvem, trovão, tremor. E toda vez que me molho, menos sou atriz. Minha alma compreende às necessidades da carne. E é guardiã das partes todas que me perfazem. As faces outras que em mim desfilam frente ao espelho. Quanto mais livre, muitas mais tenho.
Era para ser constante, dentro, perturbador. Como o tragar mais longo, embriagado. Que desvia o olhar atento e se perde, de repente. Minhas palavras densas te invadem, te descrevem e te ficam. E quanto mais as emerjo, mais e mais saem febris. E elas te explicam, não como se explica a um tema, a um termo, uma tradução. Te explicam, como o acorde explica o músico, ou o céu explica o Criador.


Necka. 01.12.2008 - Meu Ascendente, Tua Lua.

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