Ah, com certeza eu te amaria às raias da loucura! Amaria um amor sem incertezas e sem vestes, num louvor à pele nua, feito taça sobre a mesa...feito o gotejo que se insinua sobre o cristal e escorre ao seu contorno de leveza.
Por certo eu te desejaria o tempo todo. Esperaria que o entorno à atmosfera se rendesse. E que sempre fosse à hora certa sem espera, o instante exato que teu corpo assim quisesse. E eu te quereria por mais tempo, mesmo depois, ainda mais atenta ao teu descanso, à tua nudez espalhada e há pouco descoberta. Decoraria a tua natureza, tuas encostas, os teus atalhos. Quando despertasses já refeita, estaria ali ainda, velando teu corpo à beira fina dos meus lábios, fotografado na retina dos meus olhos, numa visão embriagada e rarefeita.
Sim, eu te teria a devoção testemunhada feito uma crença, uma força sobre-humana além de mim; toda razão posta de lado, numa prova de fé iluminada. Cânticos e Incensos pela casa. Preces que zelassem o teu bem. Sim, diria sim eternamente, todos os dias diante de um altar imaginário por ti erguido. E te desposaria novamente, a cada anoitecer recém-descido.
Eu comporia hinos em teu nome. E escreveria epístolas com ele. Descreveria a história, toda ela, dia a dia, para que quem não viu, te conhecesse. Esqueceria versos pelos cantos, para que ao encontrá-los tu sentisses até na minha ausência a minha ânsia. Derrubaria flores pelo chão ao teu caminho, para encurtar de nós toda distância. Acenderia o fogo da lareira nas noites de chuva forte. Estenderia um manto para o teu aconchego perto dali. E te daria de beber a poção certa, que te aquecesse o corpo e te tirasse o juízo apenas o bastante, para a noite que viria lenta.
E não repetiria nem um dia. Por ti, recriaria todos eles. Faria pacto, acordo com meus deuses, e nunca faltaria, a mim, o novo. Por ti eu sentiria mais que tudo. Contigo eu viveria mais que o todo. E para ti seria o que não sabes, o que não esperas, o que não entendes ser possível neste mundo. Eu te acharia sim, onde estivesses, e te faria minha de imediato. Sem incertezas e sem cicatrizes, sem máscaras, sem véus e sem hiatos. Eu te amaria às raias das raízes, às profundezas do que sou intacta, se tu e apenas tu, qual lua branca, te refletisses mesmo às minhas águas. Porém tu não existes se não vejo. E a mim só cabe te inventar em sonho. Mas se existisses, ah, seria lindo! Lindo, louco, eterno e enfadonho.
Necka Ayala. 17.12.2008 - para PL.
Por certo eu te desejaria o tempo todo. Esperaria que o entorno à atmosfera se rendesse. E que sempre fosse à hora certa sem espera, o instante exato que teu corpo assim quisesse. E eu te quereria por mais tempo, mesmo depois, ainda mais atenta ao teu descanso, à tua nudez espalhada e há pouco descoberta. Decoraria a tua natureza, tuas encostas, os teus atalhos. Quando despertasses já refeita, estaria ali ainda, velando teu corpo à beira fina dos meus lábios, fotografado na retina dos meus olhos, numa visão embriagada e rarefeita.
Sim, eu te teria a devoção testemunhada feito uma crença, uma força sobre-humana além de mim; toda razão posta de lado, numa prova de fé iluminada. Cânticos e Incensos pela casa. Preces que zelassem o teu bem. Sim, diria sim eternamente, todos os dias diante de um altar imaginário por ti erguido. E te desposaria novamente, a cada anoitecer recém-descido.
Eu comporia hinos em teu nome. E escreveria epístolas com ele. Descreveria a história, toda ela, dia a dia, para que quem não viu, te conhecesse. Esqueceria versos pelos cantos, para que ao encontrá-los tu sentisses até na minha ausência a minha ânsia. Derrubaria flores pelo chão ao teu caminho, para encurtar de nós toda distância. Acenderia o fogo da lareira nas noites de chuva forte. Estenderia um manto para o teu aconchego perto dali. E te daria de beber a poção certa, que te aquecesse o corpo e te tirasse o juízo apenas o bastante, para a noite que viria lenta.
E não repetiria nem um dia. Por ti, recriaria todos eles. Faria pacto, acordo com meus deuses, e nunca faltaria, a mim, o novo. Por ti eu sentiria mais que tudo. Contigo eu viveria mais que o todo. E para ti seria o que não sabes, o que não esperas, o que não entendes ser possível neste mundo. Eu te acharia sim, onde estivesses, e te faria minha de imediato. Sem incertezas e sem cicatrizes, sem máscaras, sem véus e sem hiatos. Eu te amaria às raias das raízes, às profundezas do que sou intacta, se tu e apenas tu, qual lua branca, te refletisses mesmo às minhas águas. Porém tu não existes se não vejo. E a mim só cabe te inventar em sonho. Mas se existisses, ah, seria lindo! Lindo, louco, eterno e enfadonho.
Necka Ayala. 17.12.2008 - para PL.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Leio.