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1 de dez. de 2008

Luzia Que Foi Minha

Se houver escolha, não escolhe a isso. Ao que te limita os passos; aos espaços confinados. Existe a rua vasta; existe o céu aberto; os pássaros! Lá fora ainda há tudo, e a tudo podes ter. Se te restar escolha, não escolhe menos do que possas ser. Insiste no que move, no que pulsa, no que corre às tuas veias aparentes, sempre, insiste nisso! No pulsar ardente, na vontade que te assalta, às vezes cedo de manhã. Insiste na poesia, na arte, na magia – isso tudo te foi dado e não foi por acaso. Nada é. Nada que nos venha, nada que nos chegue, nada que nos faça falta encantadoramente, é por acaso. Se veio, o fez para romper um raio, para irromper o dia, para formar-se em luz. Veio te trazer a guia, fazer diferente o que era, tornar-te uma outra de ti. Iluminada, descoberta, vista; luz quando vem é para o todo do que houver em ti, luzir o bem. Luzia, eu sei que sim, Luzia. Daqui eu via, quando estava aberta a tua alma inteira. Quando a esperança te era parceira, no sonhar às vezes, sonho igual ao meu. Se houver escolha, não escolhe a isso, ao passar em branco, não ter sido nada. Sonha mais, insiste, no que te torna alada, renascida, encantada! Não precisa ser assim, não precisas ser assim. Existe a rua imensa; existe o céu possível; e pássaros. Ainda que voltes a ficar, horas a fio sentada numa cadeira, observando o andar das formigas no solo, vez em quando ergue a cabeça e muda um pouco: observa os vôos, os desenhos das nuvens, a cor do céu ao fundo. Se esperares um pouco, verás que ela muda de cor com o passar das horas. O azul se adensa esperando estrela. Se puderes, espera: verás a chegada da Lua, o piscar de tudo ao seu entorno. E se olhares bem, com teus olhos doces, verás uma imagem conhecida nela, naquela brancura. Uma imagem nua, linda...nua, que foi minha, que foi tua.

Necka. 01.12.2008

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