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8 de dez. de 2008

Música Marinha

Sempre foi isso, desde que a ouvi pela primeira vez. Uma primeira experiência física em relação a uma música. Música Marinha. Era um aparelho antigo, naquele tempo chamado de ‘três em um’. Costumava deitar no chão do quarto em que cabia meu mundo, fechar os olhos e deixar que entrasse o som inteiro. Essa foi a 1ª que me tirou do chão. Como se sentisse a maresia, o gosto de sal, o grão de areia. Ouvi várias vezes até me convencer do poder dela sobre mim. Entendi de várias formas até atingir o todo do que ela diz. E, embora eu ainda não soubesse tanto naquela juventude leve do desconhecido, senti que ela ficaria para sempre, apenas não sabia ainda como.
Ficou. No que está contido em “o que haverá depois daquela ilha, o que haverá depois daquela linha?”. Essa vontade de saber o que há depois de cada linha, me conduziu no tempo.
Sempre há mais depois de cada linha. Estava na Praia de Cima. Pequena, aconchegante, dona de uma luz que não havia visto acesa noutro lugar. Água azul e calma, serena, areia coberta de cacos de conchas quebradas nas pedras; morro, verde em torno. Barcos, velas, horizonte e arco-íris. Beleza imensa. Mas havia a trilha ainda não feita. E gente comentando “tens de ir, tens de ir!”. Um dia fomos. E a cada linha atravessada, uma nova paisagem indescritível. Uma mais linda que a outra, mais imensa. Até que chegamos ao topo. E, dali sim, toda a beleza que há. A presença indiscutível de Deus. A vastidão. Impossível não chorar e sorrir diante daquilo tudo.
Sempre há mais. Havia escrito isso dias atrás, me referindo a sentimentos outros, noutras pessoas, insuspeitos, não-vistos, não identificados. Como há mais pessoas. Sempre. Indo além, atravessando outra linha, sempre há mais que Deus esteja providenciando, do que vemos. Me sinto, hoje, precisando que Ele me perdoe por não ter entendido e esperado um pouco mais. Havia mais que viria e era eu quem não havia previsto. Me sinto grata pelo que veio. Algo que comprova uma certeza de muitos anos, certeza que tive e que o mundo duvidou! Veio! E agradeço, Deus Amado! Porque ainda que a mesma juventude me acometa vez em quando, na imaturidade, na inconstância humana que temos, eu sabia desde 92 que farias justiça. Mais grata, ainda, porque me curas do dano recente, da dor última, do engano enluarado que não reluzia lua alguma, com a vinda do imprevisto. Havia beleza ainda maior, em palavras relidas de novas formas, com coisas em comum com outras vidas; me levas de volta ao caminho! Ao eixo, ao centro, ao lado são do lado de dentro, aquele que confere clareza, atitude de ‘dar de comer aos desejos’. Eu sempre vou querer saber o que haverá depois daquela linha. Daquela, e das linhas de Deus que não são tortas como as minhas.

Necka. 08.12.08
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