Vi que é o tempo.
Sempre foi ele, o tempo. Mesmo que tenha nos consumido de formas diferentes, mesmo que tenha nos gravado com instrumentos incomuns, era ele, o tempo! Eu queria dessa resposta. O que era. Quem nos fez aqui. Todos os teus descaminhos, tuas moradas provisórias, tuas passagens por lugares, tua inquietude. Tudo teve sentido. Todos os que não foram teus amigos, todos os que não foram teus amores, todo o gasto do teu coração, seu dano e seu saldo. Tudo faz sentido agora. Porque o tempo estava te levando e trazendo a mim. Cada pessoa que te abriu a porta e não te deu a chave às tuas mãos, cada um que arrumou as malas no teu lugar...todos tiraram de ti alguma coisa. E cada uma que te faltava, agora poderá estar guardada no tempo que te leva ainda, no tempo que me traz diante de ti, atendendo a todos os teus pedidos, os puros e os febris.
O tempo que não tenho. A pressa que sempre me conduziu. Hoje... sempre tudo no dia de hoje. Nada pra depois...isso, assim, vivido desse jeito, forjou meu coração exposto. Tirou-lhe a timidez - desnecessária, para quem quer a vida intensa correndo-lhe às veias salientes. O último abandono, dias antes de chegares...me colocou no instante do nada que ficou depois daquela presença incerta e hesitante. Vieste logo depois: certa e firme, sem pensar em nada, sem medir temores, sem ceder à obstáculos. Vieste para sentir, não para pensar no que se sente. Tua mão remove pedra e pousa poemas sobre os muros. Não teme nem a uma nem a outro. Não se detém.
O tempo, amor! Foi ele. Pois para achares alguma coisa, tinhas estar no lugar certo, na hora mais precisa de todas as horas que viveste. De mudança, em trânsito, indo, ainda sem ponto de chegada certo, nem data marcada que servisse de consolo. Entende, amor: todos os desvios, atalhos, paradas, ruas, horas vazias, tudo, cada coisa dessas te pôs exatamente onde deverias estar, naquele dia, lendo àquilo, sentindo o que sentiste diante daquilo. E cada coisa que vivi me fez escrever àquilo. Cada perda, cada não, cada adeus que me foi dado ou negado, tudo me levou até aquelas palavras e não a outras. Ali, éramos tu, o tempo e eu. Se aos meus ouvidos ele sussurrou 'escreve', aos teus ele ordenou 'lê'. O mesmo tempo. Senhor de todas as respostas, de todos os encontros e de todos os fins. Esse mesmo que não vemos passar às tardes, que sentimos alongar as noites e desligar as manhãs. Tempo que tens e que não tenho. E que tratará de dar jeito no acerto de nossos relógios. Nem que seja somente para provarmos na pele, o Todo – o infinito do que o tempo nos destina.
Tua, 07.01.2009 - 20h N.A.
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7 de jan. de 2009
3: tu, o tempo e eu, num dia 3.
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