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3 de jan. de 2009

Inquieta

In-quieta. Um movimento, outro, como disparos. Fico olhando daqui essa inquietude. Parece estar sempre de partida. Como se fosse levantar-se de repente e sair dali, da frente da tela. Sempre de passagem...? Mãos lindas, lindas, lindas! Perturbadoramente lindas. Igualmente em movimento, apoiando um rosto que muda de expressão conforme o que lê. Sorri, esconde o rosto entre elas, quando é algo sério ou provocador.
Inteligência...respostas que chegam fora do que espero ler. Longe. Nunca sei o que dirá. São disparos também. Incógnitos. Inarticulados, são velozes demais para terem intenção, premeditação. Me surpreendem, me assustam, me encantam. Às vezes preciso pensar antes de achar qualquer resposta. E custa a vir uma.
In-segurança? Tu? Por que? Não creio nisso. Não pode haver, não combina com o que vejo. Acho que não. Acho que tens certeza do que queres, muita! Pelo jeito como dizes o que dizes, na condução dos instantes todos que partilhamos, muitos, longos, tardes adentro. Ah...se for quanto ao futuro, entendo. Entendo sim. Mas ele se aproxima a cada hora que passa. Logo estarei aí. Dias, são só alguns dias entre hoje e esse outro que será de olhos nos olhos. Mas se for pelo que vem...não sei. Pode não ser nada disso. Pode ser mais que isso. Se for pelo endereço, pelo rumo das coisas, eu não sei. Apenas entendo.
Mas é que creio que Deus quando esculpe mãos tão belas, tem um propósito para elas. Ele não deve tê-las feito por acaso. Observa tu! Olha atentamente para tuas mãos. Não crês que dentro delas haja um destino? Um traçado? Olha nas palmas, às linhas dela. Deve estar dito ali. Pára, olha, percebe. A inquietude de tuas mãos talvez seja apenas uma medição de espaço e de tempo. In-certas, elas não sabem o que escolher pra si mesmas. Há tanto de tudo muito vindo junto. Mas está aí a tua resposta. Lê. Está dentro delas. In.
NA. 03.01.2009

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