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8 de mar. de 2009

08 de Março

Se existir isso, todas as vezes em que eu nascer, quero ser mulher. Ser solo, ser funda, ser toda, ser fecunda, e insana e encantada, ser tonta, ser muita, ser apaixonada, estar louca, estar no cio, estar de volta; ser profunda, ser incógnita, ser alucinada; estar longe, perder o assunto, estar às voltas com o nada, estar confusa e consciente do quanto ainda não saiba. Se existe algo do que me orgulho de ser é isso, ser mulher. E de ter somente provado o quanto, de duas formas: quando no palco e quando na cama. De ter vivido com respeito o bastante pela alma que me guia, de ter amado o bastante e de nunca ter bastado o quanto amei. De ter dado vazão ao que fui e principalmente ao que ainda não era mas queria. De ter criado tudo quanto me veio à mente e de ter tentado todas as vezes ir além. De ter semeado o próprio solo e ter feito daquele por onde ando, a única solidez necessária. De ter perdido o controle enquanto achava rumo que valesse. De ter entregue tudo o que tinha e nome do que acreditava. De ter abandonado aquilo que já não vivia nem pulsava, apenas esperava morte. De ter honrado meu nome e minha origem, de ter sido correta quando tudo à minha volta era torto. E de ter entortado um pouco as palavras para que coubesse poesia. De ter vivido todos esses anos e somente ter mostrado quem sou, a outras três pessoas - com as quais mais do que meu coração esteve. Mas nessas, tudo que eu era estava, tudo que eu sentia estava, tudo que eu queria estava nu comigo. Se existe alguma coisa intensa nessa vida, é ser uma mulher. E isso por si só, já constitui ter vivido mais, ido mais longe, tido mais. Até pelo que não se teve, não se tem, jamais se terá, mas se quereria...

Necka Ayala 08.03.09

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