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18 de mar. de 2009

60 DIAS

Hoje faz 2 meses que deixei Porto Alegre. Ainda estava quente por lá, era um domingo de Sol aberto sobre os prédios da 24. Sentia apenas a tristeza óbvia por deixar a quem deixava, pelas lágrimas muitas que saíam daqueles olhos escuros, lindos, aos quais focara durante os últimos 22 anos da minha vida. Precisava ir. Porque só sabia focar a eles e não aos meus. Precisava de mim, naquele momento, mais do que de qualquer outra coisa. E fui. Meu assento fora trocado, o que me deixou apreensiva: será que tudo mais também se faria novidade? Se fez. A aterrissagem mostrou o tamanho de Sampa e a vastidão de cinza que conseguiram colorir. Ver aquilo é como sentir-se dentro de um jogo de dominó gigantesco, um labirinto de prédios e de alturas que competem entre si. Senti a pequeneza de mim. O primeiro abraço também foi diferente: maior do que eu esperava. Clau, amada, e sua enorme afetuosidade prévia. Horas depois, sim, a novidade maior veio. E tinha um sorriso branco mais lindo que qualquer coisa que houvesse imaginado sobre ele. E foi isso, precisamente isso, que inscreveu a linha que separava o que eu sabia e o que jamais poderia supor. Ali, o definitivo, o ponto, o divisor de águas.
Tudo que se deu depois disso, é o Novo. O Ano Novo, a Vida Nova, a Nova Eu. Aquela que eu era, na Era passada, reconhece pouco de si mesma. Amanheceu frio aqui hoje cedo. O cansaço ainda estava no corpo pelo trabalho excessivo de ontem. O vento me tomou a cara como faria se eu estivesse em Porto Alegre. E me lembrou sensações antigas que nem têm tanto tempo assim. Páscoa, minha paixão por ela, pela Paixão de Cristo – Cristo, meu amigo, parte de mim integrante e firme, mais sólido que nunca! Inverno...estação preferida, quando meu corpo finalmente descansa sobre a cama, coberto. Há nuvens brancas enormes agora. Contemplo. Como se fosse possível contemplar o tempo vivido, passado que se soma em números...dia 18 de Março...2 meses fora de casa, longe do travesseiro e da minha mesa onde tudo isso começou em Agosto, 13. Aquela foi a primeira linha, o primeiro divisor. Ambas escritas pelas mesmas mãos. Aquele foi o primeiro impulso do resto de vida que havia em mim, querendo pulsar de novo. Deixei que se desse. Que a vida por si mesma tratasse de achar caminho. E sempre acha...ela nunca desiste enquanto não for a hora do ponto final. A vida sempre se refaz, como a natureza. E a ela, de novo, minha contemplação. Somente ela e a arte respondem. A fé sustenta a procura por respostas. E o amor, quando pode ser exercido em plenitude e graça, torna essa vida pouca, toda ela de novo farta, vasta, imensa, insuspeita como o céu de Brasília agora, ali...

NA 18.03.09.

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