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11 de mar. de 2009

Para JU, da tua Nefertiti.

Sendo quem sou, nascida para a música como o sol é nascido para toda pétala, sempre acreditei na existência certa de Deus. Nunca tendo visto nem à ela nem a Ele, porém sentindo a ambos, segui crendo, a despeito de tudo que vivi e vi de brutalidade nos meus semelhantes. Ainda creio. Creio que se Deus permite a vida de todos que aqui estão, todos que aqui estão terão o meu respeito prévio, a eles não, ao Criador.
O medo de voar veio mais tarde – eu já era adulta. De repente, sem mais nem menos, alturas me faziam mal. Já havia subido ao Redentor, havia percorrido Morros e Vales, das alturas que nada representavam. Veio, simplesmente veio o medo de voar. E recusei propostas grandes, grandes milagres por conta desse medo.
Um dia, depois de muitos anos de viver de adiar o corte necessário, acordei de súbito decidida a vir, de avião para cá.
Fui tomando providências, fazendo malas, prevendo necessidades que teria, objetos que teriam utilidade, enfim...já no táxi, a caminho do aeroporto, vi uma aeronave vindo, descendo...e percebi que toda essa atitude, envolveria entrar numa outra dessas. E me arrepiou a espinha constatar que estava indo fazer o que me apavorava.
Logo fiz amigo no embarque. Ele, um anjo enviado, se mostrou ao lado; enviado mesmo, estava na 24-F, enquanto eu, na 24-A – ficou ali, ofereceu chicletes e sorriu dizendo; está tudo bem.
Estava mesmo.
Porque quando as asas tocaram as primeiras nuvens, quando meus olhos depararam com o colorido das nuvens, com as camadas delas, umas sobre outras, eu vi Deus. E nada, nunca, jamais poderá superar àquela visão. Nada. Meus olhos encheram d’água e eu pensei somente isso: que todo ser humano deveria ter direito a um vôo, pelo menos, dado pelo Estado. Todo ser humano deveria ter direito a ver o que vi, a presenciar o que presenciei. Para que todo ser humano sobre a terra, mensurasse a vida de outra forma. Testemunhasse fé, pudesse ter noção da vastidão das coisas que não se vêem sempre. Todo mundo deveria poder emocionar-s tanto com o tamanho do céu, com aquela infinidade de cores, formas, tamanhos. E poder observar o fio fino das estradas vistas lá de cima. Todo mundo deveria ter o prazer de reconhecer seu tamanho e ver quão pequenas são as nossas grandes desilusões. Todo mundo deveria ter o contentamento de se enxergar de tão longe, revelando a si mesmo a brevidade de tudo, como tudo passa simplesmente. Toda pessoa deveria poder conhecer a magia que isso envolve, o homem voando solto num céu que nunca acaba nem pára. Se perguntar como é possível cada curva que a asa faz sobre a nuvem, como pode haver tanta beleza dentro de olhos tão pequenos quanto os nossos. Não é possível conceber quem não tenha tido essa experiência mágica e transformadora. Ela é vital para qualquer entendimento, para qualquer dimensão de crença e de arte.
Certas coisas, muitas pessoas jamais verão. E é injusto. Injusto que tenhamos tarifado coisas dadas gratuitamente por Deus. Quem puder, assim mesmo, suba aos céus e veja o que está lá, que só pode ser visto de lá e pasme! Pasme com a exatidão de Deus ao ser o Criador da infinita beleza.

NA. 11.03.09

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