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14 de abr. de 2009

Tear

Como eu sonharia o teu sonho, se nem os meus cheguei a ver vingados? Tive um rumo traçado e o tempo tratou de corrigi-lo ou desviá-lo. Como iria contigo onde traçaste planos, se nem meus desenganos compreendo? Tive um mundo descoberto que o novo tratou de re-vestí-lo. Como eu ouviria teus poemas, se nem os meus eu pude terminá-los? Tive mais amores do que podia conter e ao inesperado coube refazê-los. Como aceitaria teus regalos, se nem os que levei pude entregá-los? E como ter de ti tamanha estrela, se tinha os olhos negros já cegados?
Se pode a minha vontade ainda achar-te, que seja uma vontade ao bem que tenhas. Que sejas, que encontres, que te venha, o todo do amor a ti guardado. Que a ti assim destine-se o direito, de ter não mais nas mãos o fogo aceso: mas num olhar que venha a aquecer-te e a preencher as noites imperfeitas. Meu sonho é ver possíveis teus poemas, feitos todos de luz e de nobreza. Que à tua mesa sente-se contigo, o par, a parte nua da beleza. Os versos que não tens, que venham logo! A poesia plena, ao teu encontro. Que não tarde demais, nem mais te cales, mas possas entoar um canto inteiro. Que à tua cama deite-se contigo, o amor que tens mantido ainda solteiro. E que ele seja mais do que imagina tua alma poetisa e sementeira. De ti aceito sim e de bom grado, o brado de um amor fora do tempo. E te envio o meu, esse sagrado, que tempo nenhum pode acometê-lo, nem de doença grave ou desencanto, pois é tornado eterno e benfazejo. O nosso laço é certo e interminável, pois vive de criar como tecê-lo.

Necka Ayala. 14.04.09

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Leio.