Não que a alma tenha cansado de ser quem é, o que é, o tanto. Mas o corpo merece alimento. A boca merece o riso e o beijo, o tanto de água que sai dela, quando pode exercer-se. O olho carece do raio emitido por outro, de lágrima de felicidade, de contentamento pelo que vê. As mãos carecem de afagos, recebidos e dados, de entrelaços. Como as pernas merecem direção aos passos, ao encontro de outras, às vezes adormecendo exaustas, entremeadas. Os pêlos merecem as carícias, as peles as delícias, as águas...a vazão e os goles. Como a flor merece o pólen, como o céu merece a nuvem, como o só merece o par. Meus olhos querem ver, querem tocar sim, ao que enxergam, àquilo pelo qual se cegam, se perdem, se enternecem, se desorientam. E toda alma se estende, livre, solta e incandescente, quando se nutre de sentir o mesmo tanto que o corpo sente.
Necka. 24.06.09
Necka. 24.06.09
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Leio.