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24 de jun. de 2009

Eternidade

Agora já sei quando ponteiros chegam silenciosamente às 17h. A luz muda, de repente. Acostumei a ver, a perceber que horas são daqui. Acostumei a deixar o banho pra mais tarde, um pouco. E a falar antes do raciocínio vir. Já sei da secura de tudo e da falta que faz a chuva. Quase já me situo, ainda falta muito, mas reconheço o bairro, quando me aproximo. A hora do lixo ir embora, o cheiro da limpeza da manhã...já espero pelo silenciar lá fora, sabendo que às 23 horas, algumas luzes se apagam. Aos poucos, começa a haver familiaridade. Há mais amigos, vozes a serem reconhecidas ao telefone. Amanhã, Brasília ouvirá meu violão e minha voz, ao lado de outra que chamei para partilhar comigo. Já será outro instante, novo, mais meu. Quase já não sinto mais saudades do que eu era. Somente algumas pessoas e coisas deixadas lá atrás, fazem falta. Às vezes me pergunto se elas estavam mesmo lá, quando estavam. Eu estava. E, de lá, não via o que havia aqui fora. É muito! Este céu me prova. E quando subo mais acima, tendo a asa do avião pela janela, entendo o que Deus quer dizer com eternidade: é quando o que somos, se alastra, a despeito dos medos e das despedidas, vastamente.

Necka. 24.06.09

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