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6 de ago. de 2009

Era

Era um mar qualquer e meu coração à deriva.
Era a vista do amplo do céu e meu olhar à deriva.
Era o flutuar a esmo, meu corpo de barco, feito pescador.
Era um ir infindo, mudança dos ventos,
A vida à deriva.
Eu ficava à margem das coisas que beiram a vida.
Eu não tinha à vida, como ela a mim.
Era um ar qualquer, um sopro, um suspiro,
Uma brisa pouca, direção nenhuma.
Eu me alimentava dos sinais mais vagos,
De esperanças rotas, de palavras gastas.
E morria à míngua, meu desejo puro,
Meu desejo casto, minha boca seca.
Eu ficava à margem do que faz sentido,
Do que tira o senso, do que rouba o sono.
Era um farol qualquer, distante e me bastava.
Era uma canoa de lugar solteiro e eu cabia.
Agora é luz que vem da fonte, teus olhos, a fonte...
Agora é correnteza, de águas doces muitas,
Águas claras mútuas.
Já não me servem sinais, vejo milagres,
Vozes, declarações de amor em teus gestos quietos.
Meu corpo de cais, meu desejo de almirante.
E, à margem, o medo que eu tinha
Do todo deste instante.

Necka Ayala. 06.08.09 – 00h12

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