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11 de set. de 2009

Pôr do Sol

O Pôr-de-Sol de Porto Alegre é lindo. É fato. E famoso por isso, também. Porém, há outros. Em Brasília, o sol se põe num espetáculo de cores e de formas jamais visto. Todos os dias há um novo, um inédito, um desigual, ou, como diria uma das pessoas que mais amo no mundo, “sem comentários!”. O céu daqui amanhece como se fosse o sol se pondo, na mesma tonalidade avermelhada e intensa. Há, praticamente, dois ‘pores de sol’ por dia.
O que me faz pensar, depois de uma experiência um tanto quanto desagradável de hoje cedo, advinda de Porto Alegre, através de um e-mail de uma amiga (?), que, ...em se tratando de metáforas, eu tenho aqui dois espetáculos por dia, somente meus. Duas pessoas, duas almas lindas, duas mãos abertas, dois corações sem-fim, duas colunas de sustentação de desde o meu térreo, até o meu terraço. Essas colunas têm aberto meu mais largo riso, continuado meu mais longo abraço, meu mais vasto caminho. Com elas, todos os trechos do céu são possíveis, todas as ruas se abrem e todas as palavras visam clarear mais passos. Com elas, sorrir é mais freqüente que piscar os olhos, conversar pode ser a melhor coisa do mundo e sempre acabar bem e, até o gosto do vinho, pode ser uma boa pedida na sacada, olhando a lua e tocando uns acordes novos, meio tontos, por que não?
Eu vivia lá. Lá era o lugar que eu conhecia. Era meu mundo. O fiz. Cuidei dele, refiz quando se danificava, colei quando quebrava, mudei quando era preciso. Era meu. Ruas, pessoas, casa, rotinas, tudo era meu. Mas eu não era. Lá, havia peso demais por sobre os ombros, palavras ruins que me cortavam os pulsos, atos e cenas tão brutais, que já não achava lirismo em mim. Lá era linda a sala da casa e os objetos. Mas eu não era. Havia fealdade demais por sobre tudo, distância demais entre os caminhos, dificuldade demais entre as pessoas, o que as impedia de serem, de fato, amigos, no exercício de ouvir mais de uma parte e no posicionamento de ficar ao lado de quem merecia! Lá eu tinha tudo e não me tinha. E, de onde morava, nem via o sol de porto se pondo.
Me pergunto se quem me conhecia, me conhecia. Porque eu mesma não me conhecia. Não sabia que, uma vez estando em paz, sorriria tanto, diria tanta bobagem, viraria humana, encontraria tanto sossego, gostaria tanto da vida, acharia tantos caminhos, poderia dormir e, em vez de sonhar com a vida, a viveria!
Brasília tem dois espetáculos do sol e muitos outros da lua, que aparece de dia contra o céu azul clarinho. Tem ruas floridas e é plana, quase virginiana, simétrica, limpa! Aqui, embora sem todas as coisas que eu tinha, TVs, som, caixas, fotografias, CDs, filmes, casa-própria, violões mudos, lps, canetas e pincéis, talvez eu nunca tenha tido tanto: eu tenho meus dois maiores amores e, antes mesmo de tudo, tenho a mim! E, para completar a dupla perfeição, eu sou feliz.

Para FT e PB que me conhecem tanto e tão bem!

2 comentários:

  1. Quem disse que felicidade não dá assunto, meu amor??? Escrever, lindamente como escreves, está dentro, vem no "pacote", faz parte, independente do estado de espírito. Não escreves menos por estar feliz, apenas tens menos tempo, por estar vivendo.
    Te amo.

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