Pesquisar este blog

23 de out. de 2009

Hard Working Mad

À poesia não importa
Aquilo que lhe causou.


Se me deixassem em paz, se me ofertassem um tempo no meio de outros tempos, eu aceitaria de bom grado e sorveria do silêncio, uma outra vez, sua mais fina essência. As horas aqui dentro pertencem às vozes que passam, aos passos percussivos e fora do tom. Transitam ao entorno como as palavras que não ouso tentar. Estão ali, mas não são minhas. O tempo delas e o meu não se entendem, não acham harmonia no meio da rotina, em frente ao dia a dia que se estende. Se me deixassem soltar o que me vai por dentro, no centro do dia, em meio à confusão de assuntos e de vontades todas contidas, talvez eu até dissesse delas também, além das minhas. Piso o chão – há tempos o terraço não me é possível. Transito entre todos, uma face a mais é ao que se resume meu semblante um pouco envelhecido. O ar daqui é seco, ainda que chova muito ultimamente. Pode-se escrever sobre a pele seca algum poema transgressor e urgente em demasia. E quanto duraria um poema caligrafado sobre a pele? Quanto permaneceriam as palavras que não podem ser escritas, vagando soltas e desencontradas dentro de uma mente aflita? À poesia nada importa. Ela quer vir. E isso lhe basta. A mim importa agora cada vez que coincide das vozes se calarem, dos passos não virem por esse caminho – o meu.
Necka. 23.10.09 – 9h22 na ANAC.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Leio.