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4 de jan. de 2010

..."Esse home nu sou eu, olhos de contemplação..." Chico César

Quero estar perto de ti, que tens outros olhos, que vês o mundo, de fato, pelas lentes que são só tuas, aquelas que alimentaste com mãos de plena leveza. Olhos que vêem além daquilo que reside à superfície. Quero estar perto de ti, porque enxergas, porque vês e o fazes com o coração aberto, limpo, claro. Perto de teu coração doce, da tua voz infantil, incapaz de proferir palavras duras. Perto de tua alma branda que não precisa aceitar a nada, porque sabe, em seu íntimo, que tudo que vive, tudo que se move, tudo que está aqui, neste mundo, está com o consentimento do Criador. Quero estar perto da cura que proporcionas, quando tu, sem que mais ninguém saiba, valorizas a coragem inscrita em mim, ao longo do tempo – porque para ti, importa a coragem que tenho em ser como sou, em raspar minha cabeça, e não a estética que tenha ela. Para ti interessa o esforço que faço na busca do sustento e não que sustento seja esse. Para teus olhos, lindos olhos de observar apenas, sem julgar a nada, mais vale saber que ser humano habita por dentro, que calor tem o sangue pelas veias, que textura tem o carinho que te dou todas as manhãs no meu ‘Bom Dia’. E agradeço ao Senhor Meu Deus, todos os dias, quando amanheço, por sermos assim. Por tentarmos, por querermos mostrar o que nos vai por dentro, onde sentimentos são cultivados a despeito de tudo.
Quero estar perto de ti e daqueles para os quais uma falha seja sempre ínfima diante de uma soma de pequenas bondades e boas-vontades. De ti e daqueles que, sem preconceitos, se dão aos outros sem medidas e sem condições estabelecidas. Porque entendo o humano como é, humano apenas – falho, equivocado, perdido, às vezes andando às cegas enquanto jura estar enxergando além. Também somos assim muitas vezes. Mas nos diferimos pelo simples gesto de tentar entender mais do que condenar. Tentamos. Buscamos construir. Fizemos a parte que nos cabia fazer. E nada me é mais triste que ver teus olhos lindos molhados agora com tanta freqüência. Nada me dói mais do que te saber entristecida várias vezes ao dia. Nada me fere mais do que saber que, pelo que sou e que admiras tanto, foste atingida também. Me causa uma revolta, não minha, ver que estás assim por seres quem és e eu quem sou – somos tão mais do que conseguem ver em nós! Somos tão melhores do que nos descrevem! Somos tão mais claras e limpas do que nos apontam! Mas a vida e o tempo tratarão de levar aquilo que deve ir e trazer tudo que merecemos às nossas mãos. Então seguiremos assim, vida afora, tempo adentro, com as duas almas que temos, com o amor que sentimos e a consciência limpa por termos amado além de nós, a aqueles que não nos viram.
Necka. 04.01.2010.

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