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31 de ago. de 2010

O Louco

Gibran Khalil Gibran

O Louco
Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.


Ontem à noite, quis eu saber o que deixaria de bom a ela, depois de mim. Respondeu-me ela: “o sol batendo na cara”. NA.

Um comentário:

  1. Que bela suspresa encontrar-te a essa hora, quando entrei esperando nada.
    Deixarás muito, se é que sairás da minha vida um dia. Deixarás risos, lágrimas, as lembranças da melhor fase da minha vida. Se partires um dia, deixarás a certeza de que fui plenamente feliz um dia. E foi contigo, ao teu lado, quando pude sentir teu abraço quente, teu beijo doce, teu cheiro bom. Se esse dia, por algum deslize do destino chegar, deixarás muitas coisas tuas, muitas nossas e acima de tudo, deixarás uma outra de mim. Que se reconhece no espelho, que aprendeu a te olhar nos olhos, despir máscaras e chorar sem vergonha. Deixarás uma de mim que talvez deixe de existir se partires, um dia.

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Leio.