Valido a existência da minha coragem a cada passo que dou. Porque palavras não bastam. Valido a existência do paladar que trago, a cada vez que sorvo dos lábios de quem desejo. Porque palavras não bastam. Se outros vieram para deitar-se à sombra de tudo que quereriam enquanto ponteiros se movem e, assim mesmo, o tempo parece congelado, eu não! Se outros optaram por proferir palavras apenas, chamar a outro de “meu amor” apenas, sem exercer palavra alguma, eu não. Há quem permaneça à porta, estacionando os carros. Mas eu preferi adentrar a festa, ouvir em alto e bom som a música que me chamava e entregar meu corpo à sedução da dança. Preferi voltar ao fim da noite com meus músculos sabendo em si mesmos o que é a dança, com meus ouvidos alterados pelo muito que ouviram, meus pés cansados do muito que trançaram riscos numa pista; preferi provar de alguma embriaguez e retornar viva, pulsante, com o corpo salgado de suór e bênção, com as mãos quentes de terem se movido, com os lábios tomados de gosto pelo que quiseram.
Há quem prefira dedicar o tempo de sua vida às palavras. Gastar horas e mais horas do que seria sua vida, tentando traduzir a sensação de um vôo sobre um abismo. E não condeno a quem o queira fazer, a quem dedique sua idade inteira ao imaginado. Apenas prefiro ir, bater as asas, sobrevoar o abismo, sentir o vento riscar passagem sobre a pele, ter o coração fora de controle e, depois, pousar certa de que sei do que a palavra ‘vôo’ é feita – feita de asas e de ventos, de temores e de fé, feita de idas e seus avêssos. Valido minha coragem a cada vôo que adentro. Porque palavras não bastam. Mesmo a palavra vida, que é feita de movimento!
NA. 13.10.2010
Há quem prefira dedicar o tempo de sua vida às palavras. Gastar horas e mais horas do que seria sua vida, tentando traduzir a sensação de um vôo sobre um abismo. E não condeno a quem o queira fazer, a quem dedique sua idade inteira ao imaginado. Apenas prefiro ir, bater as asas, sobrevoar o abismo, sentir o vento riscar passagem sobre a pele, ter o coração fora de controle e, depois, pousar certa de que sei do que a palavra ‘vôo’ é feita – feita de asas e de ventos, de temores e de fé, feita de idas e seus avêssos. Valido minha coragem a cada vôo que adentro. Porque palavras não bastam. Mesmo a palavra vida, que é feita de movimento!
NA. 13.10.2010
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