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24 de nov. de 2010

Saudade

Eu gostava do céu de Brasília. Não há outro, que eu conheça, igual. Gostava da segurança, de poder andar sem medo, sem ameaças, sem sustos. E gostava da cidade plana que possibilitaria andar sem falta de fôlego, claro, se fosse dada às caminhadas. Gosto de São Paulo. Da profusão de coisas, do excesso total de tudo, do ar frio e úmido, das milhões de ofertas, dos passeios longos, muito longos. Gosto das padarias de Sampa, da Igreja de Judas Tadeu, dos aviões sobre a cabeça no trânsito absurdo daqui. Gosto de ver as asas de aço o tempo todo passando muito muito perto. Gosto da facilidade de comunicação daqui, do quanto pessoas que nunca se viram conversam na boa, em qualquer lugar. E de conviver com outras que foram ficando amigas aos poucos, cedendo ao carinho que temos com todas as pessoas, mesmo as mais frias, mais distantes, menos calorosas. Gosto das estradas e, em 7 meses, conheci São Bernardo, Diadema, São Vicente, Ubatuba. E de poder ir a qualquer lugar simplesmente. Gosto da Teodoro Sampaio e do Fran’s. Prefiro andar pelo Campo Belo do que pela 25, mas a 25 é útil, ainda que muito tumultuada. Achei o Chico Hamburguer e a Galetos, coisas bem boas de visitar, sempre que possível. E a Loira me fez provar o Doce de Leite da Haagen, maravilhoso. Só que meu coração ainda bate mais forte por Porto Alegre.
Minha história de vida é sulista. Meu jeito de falar, minha língua, minhas manias, minhas preferências. A Loira reclama que eu vivo dizendo que “...em Porto, eu iria...”, “em Porto eu faria....”, e é. Vivo falando de Porto, sobre Porto, como Porto fala. Nasci e vivi em Porto Alegre, criei raízes, fiz amigos que não têm preço, andei, virei a cidade do avesso, curti, assisti aos muitos tons de azul do céu de Porto e, no fim das contas, ele nem precisa ser tão lindo quanto o céu do DF: é de Porto e me faz feliz vê-lo assim mesmo. Sinto falta de lá. Muita. E meus planos, meus passos, minhas vontades todas, ainda estão todas voltadas a uma volta, um dia. Quero ver o Theo ir pro colégio, o Heitor criar as primeiras notas, tocar com meu Maurinho, conversar horas com a Carol, abraçar a Kiks fortemente, ser içada pelos braços do Cesinha, ouvir meus parceiros cantarem suas novas canções, passear no Brique, comer na Zefa, enfim...reviver Porto. E, ainda, somar as novas amizades de Porto, Tigra, Ilva, Jaque Boo, Vó Ieda e seus biscoitos maravilhosos. Um dia desses, o vôo será feito de novo, por causa do natal. Quero as rosquinhas da Silvia e o café na mesa dela. Os desaforos da Neiva e o abraço do LM. E, se Deus me ouvir, de novo, um dia será um vôo para ficar lá, onde meu coração, minha alma, minha cabeça e minha arte, se aproximam de outros amores da vida inteira. Enquanto isso, fotografo os lugares por onde passo, para passar o tempo como passam as cenas vistas da estrada...

Necka. 24.11.2010

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