Uma das primeiras irreversíveis viagens que fiz na vida, foi descobrir um cara: Dave Matthews. Depois dele, eu nunca mais fui a mesma, meu violão que era de nylon ganhou um Yamaha de aço ao lado, minha alma-mais-que-gêmea também nunca mais foi a mesma e tudo, tudo mudou. Hoje, inclusive, tenho uma guitarra semi-acústica que uso para seguir acompanhando os muitos discos dele que tenho. Tem uma música, em especial, que mais do que mudar minha vida, mudou minha forma de falar de certas coisas. A guardo com muito cuidado num compartimento sagrado, a 7 mil chaves – ficará lá pra todo sempre como um hino, um marco, uma correspondente musical à Teoria. Mas há muitas outras dele que são caras. Existem dezenas de músicos que amo. Dave eu não amo: venero. Ele é o todo do artista, o todo da loucura, da entrega, da genialidade, da viagem. Ouvir Dave é sair de mim (em comunhão com o Sol, sempre). Dia desses, ela estava hospedada aqui em casa. E, claro, eu só fui considerar minha guitarra viva, depois que o som passou pelos ouvidos dela. Bom...coloquei uma canção e saí acompanhando. Invariavelmente, ambas saímos do ar quando o som entra. Ela foi pra terra do além que lhe cabe e eu fui pra minha. É sempre assim. Ela vai e eu vou e nem vamos pro mesmo lugar, ou vamos, não sei. Patrícia é Patrícia e isso também não tem nenhuma explicação. Só quem presencia é que sabe do que falo, ou não sabe, mas viu, né Sis? Né Fernanda? Bom, tenho muitos amores na vida. Mas não toquem nem no Dave nem na Patrícia e, de verdade, eu não sei se eles não são, também, uma coisa só...ah, sei lá. Hoje, segundo dia de férias, resolvi reorganizar tudo. Eis que ouvi Dave de novo. E lembrei que ele esteve aqui, em Itu, no SWU – que eu podia ter ido. Podia ter visto com os olhos o que já vejo com os olhos fechados quando toco Dave. Muita gente perguntou se eu fui. Não, não fui. Por que? A Patrícia tinha ingresso pro Rio e também não foi. É que certos deuses precisam continuar no Olimpo, se não...
Na. 06.11.2010
Na. 06.11.2010
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