E quando não se sabe que aquilo que se viu de relance, por um vão, uma fresta do tempo, uma passagem, pode ser um destino, um ponto de chegada, um porto? Mesmo que outros tenham sabido, previsto, anunciado, ainda assim, não se sabia? E quando mesmo ouvindo previsões certeiras, não se tem noção do que a palavra certeira significa ainda? E quando a fé é pouca diante de tudo que não cumpriu ainda? Quando se quer crer mas a fé não vem, como uma chuva num dia muito quente que desfila nuvens negras mas não brota delas...; e quando a força das mãos sucumbiu ao tempo e os olhos arrumaram para si uma neblina que desfigura a paisagem? Quando o cansaço é mais forte que o novo, e a desistência é a porta mais próxima aos passos...; e quando não se imagina que, ao lado, passeia uma emoção recém fecundada, sobre a qual não se conhece nada, ainda...; quando não se está prestando atenção ao que passa, ao que nos mira enquanto miramos outra coisa mais simples ou fechamos os olhos simplesmente. Quando não se pretendeu fecundar a nada, mas, o tempo, vem gestando em si mesmo, um nascimento qualquer para embalar nossos braços. Quando se tem braços e eles vinham sendo só de adeuses. Como deixa-los a postos, preparados para novo formato? E quando não se sabe que virá o novo, como manter o coração aberto e abrir mão do escombros? Se o céu é uma das poucas certezas sobre tudo, mirar o céu e lembrar que até ele surpreende o dia com coisas que o dia não soube, talvez seja uma das poucas saídas dali, de onde se parou de acreditar.
03.12.2010
03.12.2010
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Leio.