Pesquisar este blog

9 de fev. de 2011

São horas tontas, tantas longe de ti. Se fazem necessárias para que tudo de afaste e eu siga precisando que elas passem, que elas se confundam umas às outras, precisando que elas me mordam pedaços da carne, bebam gotas do meu sangue, para que eu volte a precisar disso, dessa coisa serena e calma, às vezes mordaz que é a tua presença. A tua presença não é passageira como são as coisas que quero. Às vezes nem te quero. Mas estás presente ainda assim. Às vezes não quero nada, desperto para o dia porque ele se fez inevitável. Abro os olhos contrariados que não querem nenhuma luz lhes adentrando. Ergo o corpo que preferiria permanecer imóvel, sem ganhar as ruas, sem saber das notícias. Às vezes me pergunto para quê estar viva, afinal, se nada é certo, nada é eterno, tudo passa, até a sensação de para quê. Mas volta, a tua presença volta, mesmo que eu a queira longe dos meus desvarios e repentes. Volta e traz consigo um nexo que eu não vejo na vida. A vida não tem. Tu tens. E outras vezes ainda, não quero sair, apenas não quero sair dali, de onde reside sempre teu cheiro que é melhor sorver com fome, do que respirar. Ainda assim, às vezes eu o quero longe, para que eu sinta necessidade dele e sei que não entendes nada nessas horas breves e, também, passageiras de mim – veículo à deriva. Me sinto à mercê das tentativas que tudo faz em acertar e não acerto. Não acerto o passo, não acho a palavra certa quando quero e, quando ela vem, eu não estou em casa, não posso atende-la. São horas tontas as muitas longe de mim. Elas não passam, se arrastam dia afora como panos desdobrados por sobre camas imensas, sem fim. Ando vagando por elas, enquanto procuro prumo. Notas, certezas, desejos da tua carne e do teu beijo me assaltam no meio do dia e a tua lembrança vaga faz com que relógio nenhum seja possível. De vez em quando vem a tua fotografia parar suspensa no centro dos meus olhos que não estavam procurando ver nada. Às vezes eu não quero ver nada. Nada além.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Leio.