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31 de mai. de 2011

Era uma mesa preta, de ferro, dessas de bares de rua. Pequena e fria, onde mal cabiam dois pratos e dois copos. Servia bem ali, porque se dobrava depois de usada e repousava numa fresta qualquer entre um móvel feito a mão e uma cortina. Sonhava-se com uma mesa um dia...maior, com cadeiras de verdade, confortável e ampla, onde coubessem também enfeites e amigos, talvez velas e vinhos melhores.
Era uma maquininha roxa, dessas portáteis que cabem em qualquer bolso. Pequena e fria, pouco zoom e pouca definição. Servia bem ali, de onde se vislumbrava, nuas da sacada, um amanhecer absurdamente lindo e sempre desigual. E nunca era esquecida, porque sempre estava pronta para sair, leve e fácil de levar. Sonhava-se com uma máquina profissional, com lentes dessas que se estendem para a frente, que alcançam longe e definem com perfeição tudo o que focam.

É uma mesa branca, longa, bela e cara. Tem espaço o bastante para quatro pessoas, cadeiras confortáveis e uma sala em volta. Não repousa nunca, porque está sempre ali, apta a receber alimentos e amigos, atrapalhando o trânsito. Mas a antiga nos fazia comer perto, olho no olho, porque era pequena e levava nossos corações a se alimentarem, próximos um do outro.
É uma máquina preta, semi-profissional, com lente teleobjetiva e tudo mais que se tem direito. Zoom de 20 vezes mais o zoom da lente. Alcançou os bichos, registrou com nitidez os bigodes do tigre branco contra o sol! E, para não deixar dúvidas, fotografou até as crateras da lua, do sofá da sala, cobertas até o pescoço. O que acabou mostrando que a lua, nada tem de branca. A antiga, nos fazia levantar de repente e vislumbrar tanto o amanhecer inesquecível quanto o momento.

Hoje é um carro, quase um “transportador” de carga, que apanha para subir lombas, que sofre quando o ar está ligado. Um ponto zero. Já tem arranhões, a marca de um caminhão azul que o beijou na Régis Bittencourt. Já tem história e cabe na vaga da garagem, perfeito! Tem um cavalo-marinho e uma borboleta enfeitando, e o apelido de “pretinho básico”. Sonha-se com um que ande!, veloz e potente, talvez dois ponto dois. Tão veloz que talvez acabe por nos levar mais longe, mais rápido...

NA. 31.05.2011

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