A lua insiste em aparecer diante dos meus olhos, contra o vidro suado, cheio do que sobrou do dia, com seus restos estampados na cara. Ela vem, cada vez mais fora de hora, se oferecer aos meus olhos, às minhas lentes – quer ficar registrada para sempre, como tudo, como todos – guardada em alguma coisa sagrada, em algum coração cuidadoso. A lua insiste e eu cedo. Ela chega, cada dia mais cedo, não parte quando amanhece, não desiste de vir, de assaltar meus planos, tornear meus caminhos para que se ajeitem perto dela.
Teu desejo insiste, invade meu espaço mínimo de resistência, quando quero e quando não. Nem sempre quero, nem sempre cedo, nem sempre sou eu quem levanta cada vez mais cedo de um leito que não me descansou. Mas o que sinto...nada posso contra isso. E a cada dia me aparece num instante que não previ, pelo qual tentei passar sem que me visse. O que sinto se apropria de tudo quanto queira minha cabeça lotada de palavras e sons, de notas e sonhos, de lembranças e vontades de futuro.
Vens e nada mais me cabe fazer. Vivo indefesa diante das coisas que sinto. Impotente, diante da mão tesa e definitiva daquilo que me pulsa e me aquece. Indefesa, apenas, como meus olhos diante da cara absoluta da lua.
Necka. 14 de Julho de 2011.
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