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14 de jul. de 2011

Quando a luz faltou, eu estava tentando, a primeira tentativa apenas de visitar um canto qualquer de mim, quase esquecido – postergado...; não havia nada a fazer, não havia sons, imagens, nada a não ser um profundo silêncio. Abri mais as janelas. Havia pipas colorindo o contra-céu de Sampa. Pela lente vi que meninos caçavam pipas, livres ainda pelo tão jovens que são, sem medo do trânsito, cujas sinaleiras estavam também sem nada a fazer. Havia uns meninos e havia uns postes sobre suas cabeças soltas no ar ao lado das pipas. Postes interligados por fios, cabos, como tramas insuspeitas. Sobre eles, restos do que se brincou outrora, sobras de uma inocência própria de quem ainda não conhece os furtos que o tempo comete. No céu pesado, tudo estava a um mesmo instante lindo e desordenado, colorido e pesado, leve como a infância, denso como o silêncio imposto do meio da tarde, na tentativa desfeita de só ver a mim.

Necka. 14 de Julho de 2011.

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