No corpo dela quase tudo perde importância. Quase tudo pede poesia, delicadeza, calma e entrega. Fotografia. Quisera lentes nos olhos a registrar as partes que contracenam, sem reprises. No corpo dela, partes se justificam, se entendem consigo, se estendem tempo e espaço afora, indo mais, por mais tempo, ao ponto certo que está ali, a espreita. No corpo dela, todos os pecados se acometem de perdão. Se auto-isentam, se explicam, se redimem de si mesmos e compreendem por que nunca tiveram culpa. O corpo dela se acomoda entre minhas mãos, como se jamais tivesse querido outra coisa. Ele quis. E diz que já passou o passado que me aflige ainda. Mas prova que está aqui agora, quando reage ao contrário de tudo que conhecia. O corpo dela enlaça minhas mãos em suas profundezas todas. Não conhece limite, não delimita contorno nem define a si mesmo. Se dá mais a mim do que jamais se deu a si mesmo. Oferece a raridade da gota mais pura, que só vem quando ele mesmo trata de vir beber de sua fonte. No corpo dela quase tudo perde distância. Sou o que sou e sem passado. Me vejo ali, refletida numa cor que não tem como. Nas mãos brancas, que ela aquece antes, minha carne se vê de olhos fechados. Não teme nem se lembra. Apenas aceita que a noite siga seu curso e nos abrace terna e vorazmente a um mesmo tempo.
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4 de ago. de 2011
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Leio.