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20 de ago. de 2011

Sim, deixar que algumas horas se passem entre. A rua, tua. A toca, minha. A direção para tuas mãos, sem que eu veja. As teclas para as minhas, sem que ouças. Afasta. Deixa que eu queira. Espaço. Deixa que eu vá. Vá ao teu encontro, esmagar teu corpo nos meus braços. Assim, sem mais nem menos, de pura vontade pura de querer porque sim e é agora e é minha essa vontade. Deixa. Espera. Eu vou. Minha vontade. Deixa. Alimenta. Cala. Deixa algum silêncio morar aqui conosco. Guarda as palavras. Cuida delas. Silencia um pouco. Sempre. Olha. Olha mais tempo, com mais intensidade a tudo. Esquece. Depois esquece. Afasta. E vê de novo, como se nunca tivesses visto. Perde. Para ter de novo. Porque o que voltou quis voltar e é agora. Voltou por ti, por si mesmo, vontade própria, por não poder ficar longe, não mais. Afasta. Deixa que algumas horas se passem entre. Não chama. Deixa que a chama se acenda por ela mesma, porque quis, porque a hora é agora e é vontade pura, da mais pura verdade. Aquece. Depois afasta, esquece. Deixa que algum espaço geste. Sobre, fique, reste. Apaga. Hidrata. Permanece. Depois faz de conta que não liga. Que nem aconteceu nada. Deleta. Deixa que algum esquecimento ande conosco. Visita. Visita vem de novo. Nova. Renova. Ousa deixar que algumas coisas não sejam claras. Luz difusa, foto fora de foco. Afasta os olhos. Depois mira de novo para ver que estava ali o tempo todo, enquanto procuravas, esperavas, querias mais e mais palavras jogadas na tua cara linda. Linda. Te afasta do espelho e olha com mais intensidade. Linda. Deixa que alguma beleza te seduza de vez em quando. Pode. Dura. Inter-fere. Teu sorriso fere a delicadeza. Deixa. Deixa que algumas coisas minhas não te pertençam. Nunca. De jeito algum. Deixa que algumas idas tuas não me pertençam nunca. Alguns gestos. Algumas recordações. Afasta. Espera. Eu vou dizer. Na hora minha, na hora certa. Urgente. Necessária. No instante exato último antes da morte da tua esperança.

Necka Ayala

20.08.2011

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