Minha cara se transformou numa cara que não reconheço. Talvez nem me pertença mais. Em nada se parece com a lua, em nada se assemelha ao sol. Não conserva os mesmos traços que me eram familiares, certos que amanheceriam de novo comigo. Traz hoje coisas que eu não via ou que ele não tinha simplesmente. Meu corpo se tornou algo que não entendo. O tempo, algoz de tudo e todos, me mostra ao que veio. Redesenha, sulca, desvia, contorna de outro modo o que para mim já estava pronto. Traz sons novos aos meus ossos, encaixes imperfeitos, movimentos em câmera lenta. Meu descanso mudou de jornada, de horários, de fusos. Minha alegria vem tão repentina quanto a neblina em São Francisco. E se vai sem dar explicações. As palavras que escolho ora são minhas, ora saem de algum lugar que não sabia. Estavam lá? Eu estava? Vejo na fotografia uma pessoa que devo ter sido. Não a quero mais. Quero as que me rodeiam nas fotografias, mesmo que tenham mudado também. O que nos vai por dentro, o tempo não afeta.
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4 de ago. de 2011
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