Porque lá é onde é noite quando quero que seja noite. Entro, apago as luzes, cerro as cortinas, afasto a luz, impeço que ela invada minha escuridão necessária. Lá silencio a rua, calo as vozes que se erguem a despeito da concordância dos outros, posso ouvir o som quente e curto da minha respiração, o nada entrando e se transformando em tudo que haja. Porque lá é onde é dia somente quando quero que seja outro dia, não antes de eu querer que este dia morra; lá é onde eu posso estender o tempo quanto tempo precise que exista, virar as horas caçando respostas e palavras novas, notas, cantos da casa que eu não tenha ainda visitado, meus. Onde meu é tudo que me cerca e que eu queira que assim seja. Ir porque é lá que está o que preciso neste momento, de uma vastidão qualquer sobre tudo que sinto agora, que possa sair, ganhar espaço, dançar solta ao som de Balada para Um Louco, noite adentro, lágrima afora. Minha liberdade era aquilo que mais prezava apenas para que eu pudesse ser eu, na totalidade disso, fosse o que fosse – nem que isso fosse um risco de nunca ter a nada, a ninguém. Teria a mim. Certa de que estaria certa sobre as coisas que tinha certeza. E nelas me agarraria e as abraçaria como gente abraça a gente que não fica. Ficariam. Elas ficariam. Minhas certezas seriam sólidas, permanentes, rijas, tesas e presentes. Mas eu queria poder amar e ser livre a um mesmo tempo, numa mesma vida, numa mesma etapa. Porque lá eu poderia. Poderia fazer ser noite quando eu quisesse que fosse noite – e se só houvesse uma, duraria para sempre.
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25 de nov. de 2011
Kasa
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