Pesquisar este blog

13 de dez. de 2011

Desadornada


E se o Mar soubesse o que se encontra nele, quando se encontram com ele nossas peles, nossas cabeças pesadas, nossos corpos endurecidos e vazios? Será que folgaria em saber que nele, dentro dele, deixamos nossas cargas, nossos pesos, nossos pedidos nas ondas, nossos cansaços...? E se a Lua soubesse quantos nomes têm inscritos sobre a pele quase branca que ela exibe? Quantos sonhos, quantas saudades elucida, quanta gente só acredita porque a vê...! E se o Tempo soubesse quanto tempo ele leva para passar quando se está longe, o quão curto parece quando estamos perto? Será que ele sabe que ele é o que temos dele? Será que se imagina mutável, como o é para nós? E se o Vento soubesse quanto carrega de nós, quanto leva e semeia, quanto move e alivia calores, quanto abre janelas? Será que o Vento sabe o tanto que faz mover, ou apenas passa, cumpre seu destino e vai?
Ah se soubessem quanto carrego, quanto mergulho, quanto observo e vigio, quanto acalmo, quanto acendo, quanto penso, quanto sinto, quanto agrego e o tanto que já perdi! Ah se soubessem o que me vai por dentro, o que de mim se traduz em notas em vez de palavras nuas e vazias...ah se soubessem como é leve essa cabeça desadornada....
Necka

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Leio.