O Sol começa a descer, pintando a cena de um avermelhado que lembra Brasília. Daquela sacada, se abria sempre um novo espetáculo, uma nova tela pintada pelo Criador de todas as coisas. Olhava. Ficava acompanhando Suas pinceladas, suas surpresas, suas mesclas de cores e de tons, seu noitecer silencioso e brando. Olhava e tentava colocar à frente daquele cenário, um futuro possível para meus dias. A despeito do vivido, do já percorrido, do acabado, do perdido, do deixado, dos escombros, queria ver abertos os céus aos meus quereres. Abertos os ouvidos de Deus às minhas preces. Estendidos os braços de Deus às minhas esperas. E era como se Ele em pessoa, enquanto pintava o céu do planalto, sussurrasse: espera um pouco mais, com calma. Ciente do tempo certo de todas as coisas, Ele ia erguendo uma Lua sempre mais plena, como hóstia tirada do cálice por dedos invisíveis.
Daqui, desta janela menor agora, vislumbro um futuro recém chegado muito maior do que o imaginado. Parecem as mesmas nuvens, os mesmos pincéis e reconheço o traço do Artista Maior em seu celestial exercício. E me reconheço ali, na vinda, no tempo decorrido, diante do ponto de chegada, prestes a cruzar a fita e correr para o abraço do tempo, este Redentor.
Necka Ayala. 02.08.2012.
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