O
que No Vento levou....
Diferença entre o ontem e o
agora...o que muda?
Vir compondo desde os 6 anos...; dia
desses encontrei a letra escrita à lápis aqui, entre as coisas trazidas para
perto. ‘Adeus, Amor’ ...de uma infantilidade e de uma pureza que só aos 6 se
tem. Nada que impedisse meu pai de reverenciá-la, afinal, ele havia me
presenteado com o violão quando dos meus 1,5 anos! E segui compondo – pois só
encontrei sentido em viver, enquanto compunha. Só que...a gente vai compondo,
espera uns dias, toca de novo e se pergunta: será que essas letras e melodias,
essas “crias” terão destinação? Haverá futuro para elas e são tantas...?;
compus porque, acima e antes de tudo, precisava dizer o que estava dizendo ali.
Às vezes sem me ater à forma, rima, outras sem mesmo considerar se seriam
“entendíveis” aos olhares e interpretações alheias. Ficava ali, contemplando o
berço, a recém-parida canção, ao mesmo tempo pendendo entre o contentamento e o
vazio da conclusão.
Uma vez, Cíntia Moscovich publicou
uma carta minha para ela (post Carta para Cíntia). Depois, devidamente
convocada para ir ter com ela, declara veementemente: tu achas que tu és compositora, Neckayala? Quantas vezes tu tocas
violão por semana? E quantas tu escreves? E decretou: tu és es-cri-to-ra! UAU!
Saí dali zonza. Se, de amigos a gente perdoa muito, de quem a gente é fã e
amiga, perdoa o dobro...mas aquilo me confundiu ao mesmo tempo em que me
envaideceu. Tipo uma crisezinha mínima de cargo
na vida...artesã? Compositora? Violonista? Calígrafa? Desenhista? Cozinheira? Es-cri-tooora,
eeeeu? Ai...
E sempre houve aqueles longos hiatos
entre compor, parar e compor de novo, sempre questionando o Universo e
duvidando um pouco se o dom, a despeito de resultados obtidos, é perene.
Eis que, depois de um desses hiatos,
a perda de um amigo resultou no “destampar da panela”...e veio música atrás de
outra e mais uma. Foi o que deu origem à vontade de gravar o terceiro cd, que
há de chamar-se Sementeiro. (projeto que tem seus cúmplices desde 2008, tempos da
Comunidade da Leda Nagle) Aí sim, coisas realmente novas, adotei o pincel como
instrumento de uso ao violão, enfim, muita novidade mesmo!
De novo a contemplação e a pergunta:
e....? O que fazer com essa filharada toda dormindo num único cômodo, debaixo das
mesmas cobertas, enquanto o tempo passa? Tempo tempo tempo tempo...? Né Cíntia
Moscovich? Bem feito!
Calendários mudaram bem como CEPs e
janelas. E ficaram todas adormecidas, esperando vez, fresta, sorte na vida.
Parei total de compor. E aí já era questão pessoal entre mim e o Criador. Falei
para Ele: seguinte, me deste o dom e
serei eternamente grata. Mas não tô podendo acreditar mais, por hora, enquanto
curam-se feridas e palavras duras; então, Querido, vou dar uma parada
estratégica de auto-defesa. Fui trabalhar na Anac, abrimos a Vinte8,
realidade à bessa, projetos corporativos, muita conquista memorável no âmbito
nacional de eventos, tudo indo ultra bem. E a coleção de instrumentos de corda,
parada, acumulando pó & poeira (vide Domésticas,
o filme). Cordas secando no clima de Brasília, cordas oxidando na umidade de
São Paulo... As filhas dormindo quietinhas. As letras empilhadas, escritas a
mão, guardadas em lindas caixas feitas artesanalmente. E o sentido da vida
adiado. Aquele Maior, sabem? Aquele que costumo chamar de Comunhão com Deus –
criar!
Mudou o que mesmo? Aí vem a Voz das
Vozes, Zizi. E canta No Vento. Hoje acordei, normal...casa por arrumar, café,
plantas por regar. Mas......
Uma vontade de limpar as cordas,
ouvir todos os cds de novo, no carro, na rua, debaixo do travesseiro (como
fazia com o rádio de pilhas quando guria); vontade de tocar, de acompanhar
minhas amigas cantantes, uma renovação inteira! Mudou isso: se o mundo vai vir
buscar as outras filhas, não sei. Se essa fará eco? Não sei. Mas eu, a artesã,
a cozinheira, a compositora, a escritora, a calígrafa...as partes todas de mim,
hoje, renascem, se levantam e olham pela janela com a alma cheia de sons! E já
sinto um certo vento trazendo notas novas, outras palavras, Sementes...sei
lá...
Em
tempo: eu dizia para a Fernanda quando ela queria me levar para passear na
Teodoro: tá, mas...ficar mexendo com isso de novo, acender a coisa toda, depois
não ter com quem brincar? Melhor não... E ela dizia: faz porque amas fazer
apenas! Eu te ouço, mesmo não tendo ouvido! É...segui fazendo por ser vital
fazer. Traduzir, criar. E a Cúmplice dos últimos quase 4 anos, ouvindo,
esperando, esperando e, comigo, levando fé! E tornando meus aniversários
coroados de brinquedos da Teodoro.... Zizi Possi, o presente deste ano e da
vida toda, foi teu viu? 48 anos e os instrumentos todos limpinhos!
Necka
Ayala.
20 de
Agosto de 2012.
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