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2 de out. de 2012

3 em 1


E se pusermos cada coisa em seu respectivo lugar? Se olharmos para o que o Criador criou com outros olhos...areia antes do mar, para que possamos chegar a ele, por ela. Nuvens antes do Céu Todo Aberto, para que possamos mensurar a altura, o quanto subimos! Tronco, antes dos frutos, para subirmos... Tudo veio em uma ordem precisa – assim é melhor.
De que se alimentam os medos? De razão. De que se alimentam os sonhos, os desejos? De emoção. Se pusermos cada coisa em seu lugar, veremos que quando pensamos demais, alimentamos medos. Consideramos tudo que pode não dar certo, nos enchemos de argumentos sustentáveis para, simplesmente, não ir. Mas se queremos vida, é preciso deixar a razão restrita a atuar ao que lhe compete: contas, dia a dia, chão. Pois Vida consiste em Sentir. Alimentamos desejos quando o que a razão nos diz, entra por um ouvido e sai pelo outro. E nos permitimos querer muito, com força, com vontade, com arrepios, brilho nos olhos, coração acelerado, munidos de fé, sorriso prévio na cara. Ir, já é parte de estar vivo. Já é estar lá, mais do que desejando, indo.
A razão tem seu lugar. O coração tem. A natureza também. Somos feitos de três partes que vivem, cada uma, de cumprir aquilo que lhes foi destinado. É sábio evitar discussões inúteis entre as três. Antes de tudo, fomos matéria e sempre seremos. Isso tem seu peso e sua relevância. Logo em seguida, fomos sentimento e isso moveu, inclusive, os primeiros passos: a vontade de andar. Bem mais tarde começamos a ser razão. E aí as coisas começaram a ficar complexas. Agora, formados, forjados pelo tempo, o Artesão, podemos, vez que outra, escolher a quem alimentar primeiro. Tenho optado por levar meus desejos para tomar sol, arejá-los, cultivar cada um com calma e muita vontade! Ouço música em vez de ouvir raciocínios, argumentos, razões. Abro as janelas da casa, imagino o dia que virá...meus desejos ali, se atualizando, dando vida à vida. E tem sido próspero esse cultivo. Porque a matéria muda, como os argumentos, que sofrem influências. Mas os desejos... esses vieram para tirar a vida para dançar. E nenhum vento os leva embora.

BOM DIA.

Um comentário:

  1. Desde pequena amo as palavras. Aos dez anos comecei a fazer diários. Acabei escolhendo o jornalismo como profissão. Mais recentemente, fui para as artes, especificamente, o teatro. Mas tudo que mexe com a emoção, com o sensível me interessa. Feliz por ter descoberto alguém que escreve de um jeito que vai muito além do que eu considero um bom texto. É uma escrita vivida e poética!

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Leio.