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7 de out. de 2012

Sujeito


E aí o rapaz, no filme, diz para o terapeuta: se Deus não cometesse erros, eu não estaria aqui.
Quase todo mundo que conheço, com raras exceções, faz as perguntas erradas. Habituadas a responsabilizar a vida, ao mundo, ao outro pelo que lhes frustra. E nem sempre acontecem aqueles papos nos quais surge uma naturalidade espontânea, uma certa intimidade que permita que eu fale mesmo! Alguns ainda são amigos novos, recentes demais para coisas mais incisivas. Quando posso, quando sinto receptividade, aí sim... aqui, tenho sentido. Quem vem, vem de coração aberto para ler e refletir no silêncio do seu espaço. Seguindo...
Um exemplo meu nisso tudo: se eu perguntasse ao lado externo: por que minha música não aconteceu, por que ninguém a revelou, será que minha música não é boa?, coisas assim. Se responsabilizasse aos outros, à vida, ao mundo por isso. Que resposta obteria? Nenhuma. Porque as perguntas estão erradas, simples assim!
E se corrigisse as perguntas, tornando a mim, sujeito da questão?
Se a música era tão importante, sua trajetória e sua prosperidade, por que EU não fui atrás disso com mais ênfase? Por que EU não fui tocar mais? Por que EU não dei atenção e tijolos aos meus sonhos?
Para que tenhamos respostas, primeiro devemos refazer as sentenças, nos colocando como sujeitos. Em vez de “por que a vida não me dá o que peço”...., perguntemos: por que EU preciso tanto ser mimada pela vida? “Por que fulano não ligou?”...Por que EU preciso tanto disso? Garanto: muda tudo!
A vida nos deu vida e já fez sua parte. Trabalhar, alcançar, ir, depende de nossa vontade, braços e pernas. Coragem, braços e pernas. As coisas que eventualmente acontecem/inevitáveis, fazem parte de um aprendizado proposto pela vida em si. Perdas? Sim, há. Alguns atropelos, algumas doenças, algumas cenas ruins que não dependem mesmo da gente, ainda que sejamos coadjuvantes.  E incluo, aqui, nesse mesmo contexto, as cenas de Porto que me surpreenderam pelo teor bélico.
Nós também somos responsáveis por aquilo. Pela truculência da Brigada. Todo ser humano deveria poder trabalhar naquilo que nasceu para. Deveria poder unir dom a ofício. Só que, ser brigadiano, virou emprego. Vaga de trabalho que requer pouco estudo. E essas vagas são ocupadas por gente sem preparo psicológico, sem estrutura, sem controle, sem dom, como tantas outras. Nada justifica a violência, concordo! Nenhuma violência em nenhuma medida se justifica, nunca! Mas a gente também aparece na cena. Escolhemos representantes, votamos ou anulamos voto – escolhemos mal ou nos excluímos do processo. Se também formos sujeito daquilo, entenderemos que construímos o ambiente, o entorno, o largo da prefeitura. Quem dera tivesse sido uma manifestação inteligente e pacífica. Mas em se tratando de massa, sempre haverá o risco. Massa somada ao medo, pior!
Agora o pássaro está ali – o ninho cresceu muito. Se ele ficasse sentado no galho, perguntando a Deus, por que Ele não joga as palhas direto onde devem ficar, não haveria ninho algum agora. Ele voa, procura, pega, traz, ajeita, faz. Para isso Deus e a vida lhe deram Vontade, Asas e Bico.

Necka.

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