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6 de out. de 2012

Um Bem


Fila do Gambrinus, Fernanda, Elusa e eu, em Porto, Mercado Público, Agosto. Chovia muito, muito frio! E as três, amigaças, esperando vaga, famintas, imaginando o carreteiro (que não tinha), quentinho...
Eis que vem uma senhora, do nada e me diz: estava olhando pra ti, para a forma como fazias carinho nos cabelos da tua amiga. Tu és uma pessoa muito especial. Assim, grátis, do nada.
Fico pasma com a beleza de certas atitudes das pessoas. Com a iniciativa, com a pontualidade, com a disponibilidade de fazer o bem, por fazer, simples assim. Se por um lado tenho falado de coisas não tão belas quanto essa, é porque tenho esbarrado mais no excesso de vaidade, ultimamente, do que gostaria. E pior: vaidade de quem deveria sentir-se parte de um todo, em vez de subir em pedestais (não por acaso, inalcançáveis).
Mas há cenas, como essa do Mercado, que devem ser evidenciadas! Porque dizem respeito à uma vontade incontrolável de fazer bem a outro. Talvez eu nunca saiba o nome dela. Sei que ela estava em Porto para levar a filha que havia passado na UFRGS, despedir-se, deixa-la lá e voltar para Curitiba. Devia ser um momento dela, de alguma tristeza – mãe deixando filha noutra cidade...ainda assim, ela se dispôs a chegar na gente, declarar o que sentia e ganhar meu final e semana. Estava gelado, estávamos famintas...e aquilo aqueceu mais que qualquer carreteiro.

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