Fila
do Gambrinus, Fernanda, Elusa e eu, em Porto, Mercado Público, Agosto. Chovia
muito, muito frio! E as três, amigaças, esperando vaga, famintas, imaginando o
carreteiro (que não tinha), quentinho...
Eis
que vem uma senhora, do nada e me diz: estava olhando pra ti, para a forma como fazias carinho nos cabelos da tua amiga. Tu és uma pessoa
muito especial. Assim, grátis, do nada.
Fico
pasma com a beleza de certas atitudes das pessoas. Com a iniciativa, com a
pontualidade, com a disponibilidade de fazer o bem, por fazer, simples assim.
Se por um lado tenho falado de coisas não tão belas quanto essa, é porque tenho
esbarrado mais no excesso de vaidade, ultimamente, do que gostaria. E pior:
vaidade de quem deveria sentir-se parte de um todo, em vez de subir em
pedestais (não por acaso, inalcançáveis).
Mas
há cenas, como essa do Mercado, que devem ser evidenciadas! Porque dizem
respeito à uma vontade incontrolável de fazer bem a outro. Talvez eu nunca
saiba o nome dela. Sei que ela estava em Porto para levar a filha que havia
passado na UFRGS, despedir-se, deixa-la lá e voltar para Curitiba. Devia ser um
momento dela, de alguma tristeza – mãe deixando filha noutra cidade...ainda
assim, ela se dispôs a chegar na gente, declarar o que sentia e ganhar meu final
e semana. Estava gelado, estávamos famintas...e aquilo aqueceu mais que
qualquer carreteiro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Leio.