São
sempre as mesmas as notícias estampadas, ditas, e sempre as mesmas expressões
nos rostos de quem as diz e de quem as vê. Sempre as mesmas 34 pessoas ali,
seguindo os devaneios, as coisas que deixo indestinadas, confessas,
desabafadas. São sempre as mesmas chuvas quando se quer sair aos parques e o
mesmo fastio que qualquer coisa vazia traga. São sempre os mesmos muros tapando
a vista, o vislumbre. E as mesmas mentiras, os mesmos discursos nas mesmas
bocas e línguas. Sempre a mesma tentativa de que algo novo venha. E são sempre
poucas e frustrantes as correspondências por debaixo da porta. Tempo de
não-cartas, de não se por o sol, de não se ver amigos; de ver folhas caindo e
nada poder fazer para adiantar a chegada de novas. O inferno é a repetição. O
beijo que não brota, o recurso que não basta, a ação que nunca vence. São mais
de 17 mil dias manejando as mesmas perguntas sem respostas sobre tudo que seja
plural e não se dê. Lá fora se repete a tempestade, o domingo frio e acinzentado
da cidade que só tem tudo para quem pode tudo. Dentro, se repetem as sensações
de que, muitas e muitas vezes, mais de 17 mil, não há nada que se possa fazer
para não sermos também tão repetitivos, infernais, iguais ao mundo e ao que ele
noticia.
NA
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Leio.