Na fé de sempre, tento criar enquanto entendo,
entender enquanto crio e ir alimentando a luz que resta, esta.
Pouca mas diária e toda, toda minha.
Menos
Mal, mais Luz sobre todas as coisas. Menos aspereza, mais mansidão em todos os
gestos. Menos pensamentos obscuros e mais raios de sol rompendo a fronteira das
vidraças. Limpemos os vidros com água, anil e sal, para que transponham
claridade por toda a casa e a derrame em todas as mentes que nela habitam.
Sejamos mais dispostos a alterar aos cursos imprevistos e ruins que as coisas
tomam às vezes. E quando não for possível, que saibamos acalmar nossos corações
e repor nos passos, o ritmo em consonância com o ritmo do Universo, regido por
Deus, Criador de todas as coisas. Menos anéis sobre os dedos, para que possam,
as mãos nuas, estenderem-se umas às outras e apertá-las livres, inteiras,
redentoras de um carinho que dali tiver partido. Menos máscaras, mais nudez,
para que vejamos uns aos outros como semelhantes, passíveis dos mesmos
equívocos que cometemos, merecedores dos mesmos perdões que pedimos. Saibamos
valorar menos à felicidade impermanente e valorizar mais às alegrias nossas de
cada dia, pequenas porém constantes, a se repetir enviando os sinais que
precisamos: um gole de água pura, o sorriso da amada, o abraço forte de alguém,
o simples deitar-se à noite e poder sonhar de novo e de novo e de novo. Menos
angústia, mais esperança. Menos conflitos, mais temperança. Menos distâncias,
mais afagos leves sobre os outros que precisam e esperam que qualquer coisa
suave e terna lhes aconteça. Menos desarmonia, mais e mais Curas. Que afinemos
nossos instrumentos, a fim de que façam parte da melodia celeste entoada por
Anjos que cantarão ao nosso redor, quando chamarmos, de todo coração, por eles.
Por fim, que nos lembremos que aquilo que esperamos receber do mundo, temos de
dar primeiro, para que ele tenha e nos envie de volta, acrescido de bênçãos, de
boa-vontade e da comunhão de todos que mantiveram a luz, sempre acesa.
Necka
Ayala 25 de Abril de 2013.
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