"...Porque la deje ¿Por que la deje? No sé Solo sé que se me fue..."
Deixei por amá-la um amor puro, são. Por entender. E entendo ainda, a cada hora que passa sem ela. Cada hora que passo sem ela, é maior, mais longa, pior. Quando se deram As primeiras Horas, dadas por ela, entendi. Entendi que não queria vir. Que seus olhos não me queriam ver. Não mais. Não tanto. Apenas pude entender.
Meus olhos a viram ali, tantas vezes. Estava quieta, nada dizia, porque não queria mais dizer. Nem chamar, nem responder. E presenciei essa cena tantas vezes, tantas, que não havia mais como iludir a mim mesma. Mesmo que ouvisse sua voz gravada centenas de vezes, essa voz pertence a um tempo que já se foi dela, não é mais. Ela não o quer de volta, embora tenha chegado a voltar uma vez. Quando voltou, estive feliz por alguns dias. Mas não havia mais nela, a alegria, a velocidade, a euforia, a intensidade. Algo havia partido de dentro dela. E eu percebi.
Deixei porque dentro dela ainda reside um amor que julga jovem demais para deixar ir. E que julgo pesado demais para seguir levando. Ambas os temos. Mas os tratamos de modos diferentes. O meu é amor idoso, de via-única, que só eu sinto e que me pesa aos braços, me torna presa, me faz infeliz. E escolhi não vê-lo agonizar, não mais. Porque não quero dividir a responsabilidade pela sua morte anunciada. Não quero conduzir eu, seu corpo frio até sua morada eterna. Continuar com ele, seria concordar com seu futuro mórbido e não concordo! Não quero minhas mãos servindo de coveiras, nem minhas lágrimas pingando qual fossem advindas de faces “carpideiras”.
Deixei por que ela ainda o tenha?: porque esse amor ainda a tem. Ainda ocupa dentro dela o espaço vasto do coração dela, vasto! E o que tivemos, não teve lugar pra assentar. Não teve solo fértil para o plantio. Logo nas primeiras folhas verdes que ela observou nascerem, nossas, tratou de arrancar, antes que crescessem. E eu entendo. De mim, não arranquei nada, deixei brotar: meu coração é feito de sementes, queira ou não: nasceu assim, fazer o que? Eu não tive escolha! Eu não tive. Por Deus, eu não tive escolha!
Eu tive pressa. Tenho desde que nasci. E ela é linda! E eu a quis desde que a vi. Depois fui gostando dela, dentro, da pessoa que havia e acho que ainda há ali, dentro! Gostando das coisas que ela dizia, admirando! Ela surpreende, rouba o ar em volta. Quando vi já estava entregue, rendida, louca...magra. Insone. Insana. Intensa em tudo, varando noites mergulhada nas palavras, passando dias dançando com canções recém-paridas. Num dado momento em que a vi triste uma primeira vez, senti o Amor chegando, puro e sadio. Que não queria vê-la triste, mais do que a tudo. E se meu Amor por ela servisse de obstáculo, causasse desconforto, dividisse seu coração em dois, não me valeria senti-lo ou tê-lo. Senti tudo antes. Cedo. Cedo até demais! Coisa da idade. É cedo que sabemos intimamente que a primeira ruga é mãe de muitas linhas que ainda se inscreverão. Era cedo e eu a amava assim, libertando, deixando ir.
Deixei sem dizer nada. Nesse instante tive direito à pouca revolta que me tomou: ela havia quebrado o pacto e eu vinguei o silêncio feito por ela. Não disse nada. Decidi, calei. Saí e não voltei.
Se eu fosse falar seriam horas dizendo: vai, Meu Anjo! Vai cuidar do teu Amor-Sumidouro! Esperar que volte, que amanheça logo, que esteja bem, que seja teu de novo. Vai velar teus sonhos presos ao sono eterno. Sono de Princesa, dentro do Castelo. Vai, Meu Anjo Lindo Com Cara de Lua Branca! Vai buscar dentro de ti uma magia que reacenda o que se apaga à tua volta – tem estado frio aí. Te aquece! Te cuida! Zela por ti! Vai, Minha Mulher Louca, adentra sem medo o amplo rio de águas conhecidas, seguras, tuas – gelo, eternamente. Te ensinei a mágica, faz uso dela para ti. Podes ir, mas vive! Vive!
Vai, Meu Anjo aterrissado, que prefere o solo, onde anda seguro. Sai logo da beira do abismo: é arriscado, cuidado com a largura de seu sorriso! E revive! Se te vale escapar dos perigos, então vive! Sente a vida nisso, nesse gesto. Sente certeza na tua escolha como faço agora, na minha, ao dizer-te vai! Meu Anjo! Lindo, feito a Cara Branda da Lua. Fico te cuidando daqui. Sentinela de teus passos, cúmplice definitiva do teu Amor-Maior! Vai, Linda! Vai...
NA, para Sempre A-M.
Deixei por amá-la um amor puro, são. Por entender. E entendo ainda, a cada hora que passa sem ela. Cada hora que passo sem ela, é maior, mais longa, pior. Quando se deram As primeiras Horas, dadas por ela, entendi. Entendi que não queria vir. Que seus olhos não me queriam ver. Não mais. Não tanto. Apenas pude entender.
Meus olhos a viram ali, tantas vezes. Estava quieta, nada dizia, porque não queria mais dizer. Nem chamar, nem responder. E presenciei essa cena tantas vezes, tantas, que não havia mais como iludir a mim mesma. Mesmo que ouvisse sua voz gravada centenas de vezes, essa voz pertence a um tempo que já se foi dela, não é mais. Ela não o quer de volta, embora tenha chegado a voltar uma vez. Quando voltou, estive feliz por alguns dias. Mas não havia mais nela, a alegria, a velocidade, a euforia, a intensidade. Algo havia partido de dentro dela. E eu percebi.
Deixei porque dentro dela ainda reside um amor que julga jovem demais para deixar ir. E que julgo pesado demais para seguir levando. Ambas os temos. Mas os tratamos de modos diferentes. O meu é amor idoso, de via-única, que só eu sinto e que me pesa aos braços, me torna presa, me faz infeliz. E escolhi não vê-lo agonizar, não mais. Porque não quero dividir a responsabilidade pela sua morte anunciada. Não quero conduzir eu, seu corpo frio até sua morada eterna. Continuar com ele, seria concordar com seu futuro mórbido e não concordo! Não quero minhas mãos servindo de coveiras, nem minhas lágrimas pingando qual fossem advindas de faces “carpideiras”.
Deixei por que ela ainda o tenha?: porque esse amor ainda a tem. Ainda ocupa dentro dela o espaço vasto do coração dela, vasto! E o que tivemos, não teve lugar pra assentar. Não teve solo fértil para o plantio. Logo nas primeiras folhas verdes que ela observou nascerem, nossas, tratou de arrancar, antes que crescessem. E eu entendo. De mim, não arranquei nada, deixei brotar: meu coração é feito de sementes, queira ou não: nasceu assim, fazer o que? Eu não tive escolha! Eu não tive. Por Deus, eu não tive escolha!
Eu tive pressa. Tenho desde que nasci. E ela é linda! E eu a quis desde que a vi. Depois fui gostando dela, dentro, da pessoa que havia e acho que ainda há ali, dentro! Gostando das coisas que ela dizia, admirando! Ela surpreende, rouba o ar em volta. Quando vi já estava entregue, rendida, louca...magra. Insone. Insana. Intensa em tudo, varando noites mergulhada nas palavras, passando dias dançando com canções recém-paridas. Num dado momento em que a vi triste uma primeira vez, senti o Amor chegando, puro e sadio. Que não queria vê-la triste, mais do que a tudo. E se meu Amor por ela servisse de obstáculo, causasse desconforto, dividisse seu coração em dois, não me valeria senti-lo ou tê-lo. Senti tudo antes. Cedo. Cedo até demais! Coisa da idade. É cedo que sabemos intimamente que a primeira ruga é mãe de muitas linhas que ainda se inscreverão. Era cedo e eu a amava assim, libertando, deixando ir.
Deixei sem dizer nada. Nesse instante tive direito à pouca revolta que me tomou: ela havia quebrado o pacto e eu vinguei o silêncio feito por ela. Não disse nada. Decidi, calei. Saí e não voltei.
Se eu fosse falar seriam horas dizendo: vai, Meu Anjo! Vai cuidar do teu Amor-Sumidouro! Esperar que volte, que amanheça logo, que esteja bem, que seja teu de novo. Vai velar teus sonhos presos ao sono eterno. Sono de Princesa, dentro do Castelo. Vai, Meu Anjo Lindo Com Cara de Lua Branca! Vai buscar dentro de ti uma magia que reacenda o que se apaga à tua volta – tem estado frio aí. Te aquece! Te cuida! Zela por ti! Vai, Minha Mulher Louca, adentra sem medo o amplo rio de águas conhecidas, seguras, tuas – gelo, eternamente. Te ensinei a mágica, faz uso dela para ti. Podes ir, mas vive! Vive!
Vai, Meu Anjo aterrissado, que prefere o solo, onde anda seguro. Sai logo da beira do abismo: é arriscado, cuidado com a largura de seu sorriso! E revive! Se te vale escapar dos perigos, então vive! Sente a vida nisso, nesse gesto. Sente certeza na tua escolha como faço agora, na minha, ao dizer-te vai! Meu Anjo! Lindo, feito a Cara Branda da Lua. Fico te cuidando daqui. Sentinela de teus passos, cúmplice definitiva do teu Amor-Maior! Vai, Linda! Vai...
NA, para Sempre A-M.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Leio.