28 de Outubro de 2008.
Hoje, dia de Meu Amado São Judas Tadeu Queridão, fiz uma prece por Olinda Godinho Ayala! Seria o aniversário dela. Teria hoje 94 anos. Ui, estaria bem velhinha minha Amada, Minha Querida.
Ela era ainda mais baixa que eu. Sentava na cadeira de balanço e não alcançava os pés no chão. Ficava se embalando só. Gostava de café com leite beeeeeeeem quente! Pelando! E torradas de pão de ontem na frigideira. Aprendi a não viver sem isso, nunca mais! Todas as tardes às 18h em ponto, lá ia ela, solene, ajoelhar-se diante da imagem de Jesus Cristo, com o Terço nas mãos. E ai de quem ligasse pra lá a essa hora! Na hora do terço. Na hora do almoço também não podia, ficava brava. Ela era brava. Seca, evitava carinhos. Quando eu chegava e colava um beijo na cara dela, passava a mão por cima logo, tentando tirar dali. E dizia: pára Sandra Maria! Quando tocava violão, ela ficava ouvindo atrás da porta, jurando que estava escondida – eu sabia, há anos! Ela não queria incentivar a arte, me queria Arquiteta. (eu desenhava também). “Tu tens de ser alguma coisa na vida, uma Secretária Bilíngüe (tinha professora particular de inglês desde 2 anos de idade), uma Arquiteta, uma Engenheira: tão inteligente, minha Boneca!”. Agora, queria ver ela se rir toda, era alguém dizer “tradutora-intérprete”. Pronto! Era tiro e queda, lá vinha ela falar comigo, me convencer. Que lindo ela achava isso! Ficava imaginando sei lá eu o que sobre ser tradutora-intérprete! Alguém mais alta do que eu e, certamente, com cabelos. Uma coisa chique, apresentável! Tadinha, mal sabia ela que eu seria uma Cabeça-Raspada-Não-Intérprete: compositora ainda! Credo, ela teria uma coisa!
Tudo foi cedo: Colégio Santa Família, 1 ano e meio. O violão, foi o pai! Bem capaz que ela me daria um violão. Nunca! Colégio e Professora de Inglês em casa, meses depois. “tu tens de te preparar cedo, porque eu tô velha, vou morrer e tu vais ter de te virar!”. Ok, lá ia eu pro Colégio que nem tinha turma pra gente daquele tamanhinho. Era Jardim da Infância! (ih...quando a gente tem memórias assim é sinal de idade avançada: socorro Jesus Amiguinho: DPOC tudo bem, Alzheimer não!).
Era cuidadosa, ultra organizada, fazia a melhor comida do mundo, ia a Missa todo domingo e cantava da fila da Comunhão pra toda a paróquia ouvir! Sério! Que voz linda! Daquele tamanho, que não se via na fila, só se ouvia a voz: segura na mão de Deus e vai! Afinadíssima! E saía da Igreja São Pedro suspirando a força renovada. Não havia fibra igual à daquela mulher. 2 filhos alcoólatras, viúva, semi-analfabeta, e eu pra criar de bônus! Forte! Impávida! Mãe! Minha Mãe. A que me teve, não a tive. Minha Olinda, que me quis.
Se hoje fosse lá, na minha casa, estariam os docinhos sobre as enormes bandejas de prata, polidas um dia antes por mim, a Brasso e flanela laranja; docinhos de todos os tipos, envoltos em celofane, sentadinhos bem no meio das forminhas de papel: rosa para os branquinhos, brancas para os brigadeiros. Haveria uma Torta sobre a mesa da sala. Cheiro de chá da Índia no ar. Cheiro de lustra-móveis pela casa. Rei-Alberto na geladeira. Cortinas voando branquíssimas e engomadas, postas de volta no lugar por mim, um dia antes – acho que cresci mais, de tanto me esticar pra pendurar as cortinas. Ela entraria no meu quarto para mostrar a cara e perguntar se era pó compacto demais, se estava “mascarada”. E se a anágüa estava aparecendo debaixo da saia. Sempre estava. E quando chegasse a primeira visita de aniversário e dissesse: como a Senhora está conservada, ela xingaria aos brados: eu não sou sardinha e nem vivo em lata pra estar conservada! Quer elogiar, diz que eu tô bonita! Ora, onde é que já se viu!
Hoje, dia de Meu Amado São Judas Tadeu Queridão, fiz uma prece por Olinda Godinho Ayala! Seria o aniversário dela. Teria hoje 94 anos. Ui, estaria bem velhinha minha Amada, Minha Querida.
Ela era ainda mais baixa que eu. Sentava na cadeira de balanço e não alcançava os pés no chão. Ficava se embalando só. Gostava de café com leite beeeeeeeem quente! Pelando! E torradas de pão de ontem na frigideira. Aprendi a não viver sem isso, nunca mais! Todas as tardes às 18h em ponto, lá ia ela, solene, ajoelhar-se diante da imagem de Jesus Cristo, com o Terço nas mãos. E ai de quem ligasse pra lá a essa hora! Na hora do terço. Na hora do almoço também não podia, ficava brava. Ela era brava. Seca, evitava carinhos. Quando eu chegava e colava um beijo na cara dela, passava a mão por cima logo, tentando tirar dali. E dizia: pára Sandra Maria! Quando tocava violão, ela ficava ouvindo atrás da porta, jurando que estava escondida – eu sabia, há anos! Ela não queria incentivar a arte, me queria Arquiteta. (eu desenhava também). “Tu tens de ser alguma coisa na vida, uma Secretária Bilíngüe (tinha professora particular de inglês desde 2 anos de idade), uma Arquiteta, uma Engenheira: tão inteligente, minha Boneca!”. Agora, queria ver ela se rir toda, era alguém dizer “tradutora-intérprete”. Pronto! Era tiro e queda, lá vinha ela falar comigo, me convencer. Que lindo ela achava isso! Ficava imaginando sei lá eu o que sobre ser tradutora-intérprete! Alguém mais alta do que eu e, certamente, com cabelos. Uma coisa chique, apresentável! Tadinha, mal sabia ela que eu seria uma Cabeça-Raspada-Não-Intérprete: compositora ainda! Credo, ela teria uma coisa!
Tudo foi cedo: Colégio Santa Família, 1 ano e meio. O violão, foi o pai! Bem capaz que ela me daria um violão. Nunca! Colégio e Professora de Inglês em casa, meses depois. “tu tens de te preparar cedo, porque eu tô velha, vou morrer e tu vais ter de te virar!”. Ok, lá ia eu pro Colégio que nem tinha turma pra gente daquele tamanhinho. Era Jardim da Infância! (ih...quando a gente tem memórias assim é sinal de idade avançada: socorro Jesus Amiguinho: DPOC tudo bem, Alzheimer não!).
Era cuidadosa, ultra organizada, fazia a melhor comida do mundo, ia a Missa todo domingo e cantava da fila da Comunhão pra toda a paróquia ouvir! Sério! Que voz linda! Daquele tamanho, que não se via na fila, só se ouvia a voz: segura na mão de Deus e vai! Afinadíssima! E saía da Igreja São Pedro suspirando a força renovada. Não havia fibra igual à daquela mulher. 2 filhos alcoólatras, viúva, semi-analfabeta, e eu pra criar de bônus! Forte! Impávida! Mãe! Minha Mãe. A que me teve, não a tive. Minha Olinda, que me quis.
Se hoje fosse lá, na minha casa, estariam os docinhos sobre as enormes bandejas de prata, polidas um dia antes por mim, a Brasso e flanela laranja; docinhos de todos os tipos, envoltos em celofane, sentadinhos bem no meio das forminhas de papel: rosa para os branquinhos, brancas para os brigadeiros. Haveria uma Torta sobre a mesa da sala. Cheiro de chá da Índia no ar. Cheiro de lustra-móveis pela casa. Rei-Alberto na geladeira. Cortinas voando branquíssimas e engomadas, postas de volta no lugar por mim, um dia antes – acho que cresci mais, de tanto me esticar pra pendurar as cortinas. Ela entraria no meu quarto para mostrar a cara e perguntar se era pó compacto demais, se estava “mascarada”. E se a anágüa estava aparecendo debaixo da saia. Sempre estava. E quando chegasse a primeira visita de aniversário e dissesse: como a Senhora está conservada, ela xingaria aos brados: eu não sou sardinha e nem vivo em lata pra estar conservada! Quer elogiar, diz que eu tô bonita! Ora, onde é que já se viu!
OLINDA,BEIJOS MIL!!!!!!!
ResponderExcluirNECKA,FIQUE BEM,JÁ SABE,ESTOU AQUI.
Que lindo, Necka!Luz e paz à Dona Olinda, onde quer que ela esteja.bj
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