Amei tua voz. Não a julgava tão profunda e grave, tão macia e viril. Linda, tua voz é linda! Amei tuas palavras àquela noite, dadas com uma nudez perturbadora que me obrigou a sê-la também. Amei a troca que fizemos e que tivemos. De tudo quanto nos coube até aqui. Amei pedir-te em casamento e mais ainda, amei teu pronto sim. Eu, que estranho tanto quando a vida me diz sim a algum pedido, a alguma espera, a alguma fé, fiquei feliz ao ver-te um pouco meu e tão pontualmente.
Sim, cheiro um pouco a cigarros. Vez em quando a outra fumaça também, como as dos incensos que acendo inúteis pela casa. Percebeste que Incensos são sempre solteiros? Há cheiros que não casam. Uso perfume de criança, único que suporto carregar ao longo dos meus dias longos. Demais! São horas demais. As Horas. Sim, menta com chocolate, tenho um pouco deste cheiro também. E meu abraço é muito forte, como se quisesse extrair o sumo do outro, sua essência maior, seu todo. Roupas soltas, sempre, sobre o corpo. E cheiram a erva-doce, sempre assim!
Temos tantas paixões em comum, Caio, Cíntia, Clarice; pessoas que vêm e partem cedo, antes de nos ter, já nos perdem. Antes de tê-las já nos perdemos. Somos dois errantes, dois apaixonados pela paixão em si e, sem ela, nada nos basta. De que nos serve esta noite se não para nos rendermos a toda loucura impressa feito digital, no desassossego da ausência? De que vale ter braços a nós dois, se não puderem contorcer-se de saudade de tudo quanto não possam abraçar? Somos assim. Simplesmente.
Um silêncio, Uma Liberdade; temos carinhos de algodão a quem não se permite conhecer sua própria pele; temos o todo do amor a conceder a quem não ousa deixar vazar sua própria gota; temos fé, cremos na miragem e enxergamos de fato uma saída mesmo para quem nem se quer anda em nossa direção, não faz parte da cena, não vem! Não fica. E se vem, fica apenas o bastante para constatar que sim, seria possível, mas não avança!
Viste a neve no teu sonho de uma noite fria que faz aqui. Neve de adeuses, neve de corações vazios, desocupados, inválidos. Há um banco sim, de praça, perto daqui, da minha casa. Às vezes sento-me lá. Sozinha. Música alta nos ouvidos. Árvores, Porto Alegre tem muitas árvores. É uma cidade generosa, oferece descanso e sombra a quem vier. Generosa como nossos corações cheios de compaixão pelo outro que não vem. Nesse banco ainda sentarei contigo, esposo meu! Não sei se serão lágrimas ou risos compartilhados então. Sei que minha alma encontrará a tua de novo, e de novo e de novo, numa repetição feliz de quem apenas, finalmente, se reconhece, se encontra em casa e à vontade, nu.
Quando quiseres tu, vem! Estarei sempre AKI com alguma palavra nova e só tua pra dizer. E se hoje eu fosse entoar uma canção pra ti, seria Madrugada. Porque nos justifica. Te amo.
Sim, cheiro um pouco a cigarros. Vez em quando a outra fumaça também, como as dos incensos que acendo inúteis pela casa. Percebeste que Incensos são sempre solteiros? Há cheiros que não casam. Uso perfume de criança, único que suporto carregar ao longo dos meus dias longos. Demais! São horas demais. As Horas. Sim, menta com chocolate, tenho um pouco deste cheiro também. E meu abraço é muito forte, como se quisesse extrair o sumo do outro, sua essência maior, seu todo. Roupas soltas, sempre, sobre o corpo. E cheiram a erva-doce, sempre assim!
Temos tantas paixões em comum, Caio, Cíntia, Clarice; pessoas que vêm e partem cedo, antes de nos ter, já nos perdem. Antes de tê-las já nos perdemos. Somos dois errantes, dois apaixonados pela paixão em si e, sem ela, nada nos basta. De que nos serve esta noite se não para nos rendermos a toda loucura impressa feito digital, no desassossego da ausência? De que vale ter braços a nós dois, se não puderem contorcer-se de saudade de tudo quanto não possam abraçar? Somos assim. Simplesmente.
Um silêncio, Uma Liberdade; temos carinhos de algodão a quem não se permite conhecer sua própria pele; temos o todo do amor a conceder a quem não ousa deixar vazar sua própria gota; temos fé, cremos na miragem e enxergamos de fato uma saída mesmo para quem nem se quer anda em nossa direção, não faz parte da cena, não vem! Não fica. E se vem, fica apenas o bastante para constatar que sim, seria possível, mas não avança!
Viste a neve no teu sonho de uma noite fria que faz aqui. Neve de adeuses, neve de corações vazios, desocupados, inválidos. Há um banco sim, de praça, perto daqui, da minha casa. Às vezes sento-me lá. Sozinha. Música alta nos ouvidos. Árvores, Porto Alegre tem muitas árvores. É uma cidade generosa, oferece descanso e sombra a quem vier. Generosa como nossos corações cheios de compaixão pelo outro que não vem. Nesse banco ainda sentarei contigo, esposo meu! Não sei se serão lágrimas ou risos compartilhados então. Sei que minha alma encontrará a tua de novo, e de novo e de novo, numa repetição feliz de quem apenas, finalmente, se reconhece, se encontra em casa e à vontade, nu.
Quando quiseres tu, vem! Estarei sempre AKI com alguma palavra nova e só tua pra dizer. E se hoje eu fosse entoar uma canção pra ti, seria Madrugada. Porque nos justifica. Te amo.
pensei em "pasmo", ou "emocionado". Quem sabe "surpreso", ou ainda "amado"... Mas não encontrei palavra alguma nessa língua ou em outra que possa descrever meu estado agora.
ResponderExcluirPenso que Dalayala seja o mais próximo... algo como a Lalande de Clarice... sem significado, sem pudor, sem semântica e sintaxe.
Mas que diz tudo.
p.s.: impressionante como me vejo nesse texto... literatura tem poder... creio nisso.
Vish! Que coisa linda! Como é bom "ver" o amor!
ResponderExcluirBeijo dominical, :P