Contei pra minha mãe sobre a viagem.
Contei sobre a minha vida agora, de como tenho tirado forças sei lá de onde.
Ela chorou comigo. Eu chorei com ela. No colo dela pela primeira vez em 44 anos.
Quando disse que tinha medo de altura, ela respondeu: minha heroína.
Se ela soubesse o quanto tenho sido tudo, menos heroína!
Tenho sido tudo. Menos alguém que vença aquilo que deve vencer.
Talvez eu esteja vencendo medos para não ter de vencer algo muito maior.
"A sombra leve da morte passando sempre por perto". (Elis)
Minha Avó é Mãe de minha Mãe.
Não me sinto filha, não me sinto neta.
Me sinto solta, avulsa, inconcreta.
Elas gostam do meu cheiro.
A Vó segue passando a mão fina demais sobre minha cabeça.
Queria que alguém fosse buscar um refrigerante pra mim,
como se estivesse me recebendo em casa, preocupada em servir, em alimentar.
Ela, sem estômago. Quase sem vida.
Dizia às enfermeiras: essa é minha netinha!
Eu não queria refri. Não queria vê-la ali.
Não queria ver mais nada. Hoje, eu não quero ver mais nada.
Pois, se lá de cima tudo parece tão infinitamente pequeno, daqui, de perto,
só heróis de verdade conseguiriam enfrentar coisas tão grandes.
NA 26.11.2008
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